sexta-feira, 31 de agosto de 2012

POUPANDO A ALMA SENSÍVEL

Olhem para o Meu servo. Vejam o Meu escolhido. Ele é o Meu Amado, em quem a Minha alma se alegra. ...Ele não esmaga o fraco, nem apagará a menor esperança que houver. Mateus 12:18 e 20 (A Bíblia Viva)

Criar quatro filhos e fazer todo o trabalho doméstico é uma tarefa árdua. Acrescente a isso o tratar uma irmã inválida e um marido demasiado ocupado em ganhar o sustento para poder ajudar, e terá a receita para conseguir um espírito abatido. Assim era a vida de Phoebe Hinsdale Brown, uma jovem dona de casa. Contudo, apesar da sua ocupada rotina, Phoebe decidiu passar algum tempo a sós com Deus.
Não distante da sua casa, ficava a propriedade de uma abastada senhora, onde havia um jardim isolado. Ao entardecer, Phoebe gostava de dar uma escapadinha até ali para passar alguns momentos a meditar e a orar. Pensando que a proprietária não se importaria, Phoebe não pedia licença. Um dia, o jardineiro percebeu a sua presença e relatou o facto à patroa. Esta, desconfiada de más intenções, foi falar com a assustada mulher, exigindo que ela dissesse o que estava a fazer naquele lugar e insinuando que os 'penetras' não eram bem recebidos!
Porque era tímida e sensível, Phoebe sentiu-se esmagada, pois não tinha nenhuma intenção maldosa. Na tarde seguinte, escreveu um bilhete pedindo desculpa. O conteúdo do bilhete tomou a forma de um poema. Com o filho mais novo ao colo, Phoebe escreveu - "Desculpas pelas Minhas Divagações Vespertinas." Aqui estão as quadras do seu poema:
Gosto de no meu viver
A sós com Deus estar;
O meu trabalho assim deter,
E, em paz, humilde orar.

Eu gosto de estar a sós
A ouvir a voz da solidão;
E a minha voz eu ergo então,
Só Deus a pode ouvir.

Gosto de estar sem mais ninguém,
Pensar no Lar de além;
E pela fé então prever
O Céu e seu prazer.
Não sei qual foi a reacção da senhora rica ao bilhete, mas sei que o poema de Phoebe foi parar ao hinário Cantai ao Senhor (número 306).
É tão fácil interpretar mal os motivos alheios e agredir pessoas quando nem sequer conhecemos todos os factos. Cristo foi sempre cuidadoso neste aspecto.

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

BELEZA E CEGUEIRA

Porque Deus que disse: Das trevas resplandecerá luz - Ele mesmo resplandeceu em nossos corações, para iluminação do conhecimento da glória de Deus na face de Cristo. 2 Coríntios 4:6

Donald Grey Barnhouse, no seu livro Let Me Illustrate (Permita-me Ilustrar), página 156, relata um incidente que lança luz sobre o nosso texto.
Um jovem oficial ficou cego, na explosão de uma mina. Enquanto convalescia foi cuidado por uma enfermeira pela qual se apaixonou e com quem casou mais tarde. Certo dia, ouviu, por acaso, uma conversa a respeito dele e da sua esposa. O cruel comentário foi mais ou menos assim: "Ainda bem que ele é cego. Ele provavelmente não teria casado com uma mulher tão feia, se visse bem."
Caminhando em direcção àquelas vozes, ele disse: "Ouvi, por acaso, o que vocês disseram e agradeço a Deus, do fundo do meu coração, a cegueira que tenho; caso contrário, eu poderia ter deixado de ver o maravilhoso valor da alma da minha mulher. Ela possui o carácter mais nobre que já conheci. Se as feições do seu rosto poderiam ter manchado a sua beleza interior, então eu é que fiquei a ganhar por ter perdido a visão!"
Foi uma boa repreensão! E um ainda mais importante testemunho!
A natureza humana caída tende a procurar o rosto bonito, as formas perfeitas, as feições delicadas, o porte atlético - e passa por alto o carácter, "o encanto duradouro de um espírito amável e manso." 1 Pedro 3:4 (A Bíblia Viva).
Quando a Segunda Pessoa da Trindade, através da encarnação, Se tornou homem, Isaías conta-nos que "não tinha aparência nem formosura; ... nenhuma beleza havia que nos agradasse". Isaías 53:2. Creio que Deus teve um propósito em ordenar que assim fosse. Ele não quis que os seres humanos fossem atraídos ao Seu Filho por causa da aparência física, mas por apreciarem a sua beleza de carácter.
À medida que formos estudando a vida de Jesus, revelada na Bíblia, uma transformação vai ocorrer na nossa visão espiritual: "As coisas desta Terra... ficam estranhamente sombrias à luz da Sua graça e glória." - Helen H. Lemmel. Quando isso acontece, Cristo conduz pobres pecadores, espiritualmente cegos como nós, de maneiras inesperadas e em caminhos desconhecidos.

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

ANTES DE PEDIREM

Eu darei a eles o que desejam, antes mesmo de Me pedirem. Enquanto eles ainda estiverem falando comigo sobre as suas necessidades, Eu já terei respondido às suas orações! Isaías 65:24 (A Bíblia Viva)

O Dr. William Moon, conhecido por inventar um alfabeto em alto relevo para pessoas que ficaram cegas depois de adultas, e por ter fundado a Sociedade Moon, era cego também. Desde a sua juventude, dedicou a vida ao trabalho em favor dos desprovidos da visão. No Verão de 1852, a sua organização encontrou-se num aperto financeiro por causa de uma dívida de 22 libras esterlinas que ele linha contraído em relação com o seu trabalho.
Poucas horas antes de se encerrar o prazo final para o pagamento, o Dr. Moon orou para que se abrisse uma porta e ele pudesse pagar a conta a tempo. Parecia que a sua oração não seria atendida. Mas às 4 horas da manhã do dia-limite, uma senhora cega que morava em Brighton não conseguia dormir e, para passar o tempo, começou a ler o Salmo 34 pelo alfabeto do Dr. Moon. No versículo 6, ela leu as seguintes palavras: "Clamou este aflito, e o Senhor o ouviu."
Repentinamente, ela sentiu que o Dr. Moon precisava de dinheiro para levar avante a sua obra. Logo que amanheceu, ela vestiu-se, foi ao seu cofre e tirou uma nota de cinco libras. Mas pensou que aquilo não seria suficiente, de modo que tirou mais três notas de cinco libras. Colocou-as na sua carteira, que já continha duas moedas, e dirigiu-se para a casa do Dr. Moon.
Já no escritório dele, a senhora perguntou-lhe se ele estava a ter dificuldades financeiras relacionadas com o trabalho. Antes de receber aquela visita, o Dr. Moon tinha decidido não contar a ninguém o seu problema, a não ser a Deus. Portanto, quando aquela senhora lhe fez a pergunta, ele hesitou em responder. A senhora estendeu-lhe a bolsa, dizendo que o seu conteúdo era para ser usado conforme ele achasse necessário. Podemos imaginar a surpresa do Dr. Moon ao descobrir que aquela bolsa tinha a quantia exacta de que ele precisava para pagar a sua dívida naquele dia.
É gratificante ler experiências de orações às quais Deus responde de maneira definida, exacta ou inesperada. Ele, entretanto, sabe o que é melhor para nós. Assim, se as orações que você faz não são atendidas de forma sensacional ou exactamente como deseja, não fique desanimado. Com muito mais frequência, Ele nos atende de maneiras menos surpreendentes.

terça-feira, 28 de agosto de 2012

COMO LIDAR COM A TRAGÉDIA

Então Ele... disse (a Paulo): a Minha graça te basta, porque o poder se aperfeiçoa na fraqueza. 2 Coríntios 12:9

Em Setembro de 1858, Henry Fawcett, um rapaz inglês de 20 anos, ficou cego de ambos os olhos quando o seu pai, acidentalmente, disparou a espingarda enquanto caçavam.
Antes da tragédia, Henry era um rapaz inteligente, ambicioso e com um grande futuro diante de si. Depois do acidente, encheu-se de desespero. Mas houve uma coisa que o salvou. Amava profundamente o seu pai e sabia que este ficara quase louco por causa do que acontecera ao filho. A única forma que Henry encontrou de preservar a sanidade mental do pai foi optar por esperança em vez de desespero. Fingia estar alegre, quando na realidade não estava. Fingia ter interesse na vida, quando na verdade queria era desistir de tudo. Quando o desespero lhe oprimia o coração, Henry fazia de conta que tinha esperança de ainda poder ser um cidadão útil.
Então aconteceu algo estranho. O fingimento tornou-se realidade! Foi como se, por um acto da vontade, Henry tivesse exorcizado um espírito mau. Prosseguiu a carreira que tinha escolhido, foi eleito para o Parlamento e mais tarde, a pedido do primeiro-ministro Gladstone, foi encarregado da chefia do sistema postal e telegráfico britânico. Nesse cargo, Henry foi o responsável por significativos melhoramentos no serviço postal e telegráfico do seu país.
Nos versículos que precedem o texto para a meditação de hoje, o apóstolo Paulo fala de "um espinho na carne". 2 Coríntios 12:7. Ele não conta que espinho era esse, mas os estudiosos da Bíblia têm concluído que tinha a ver com o seu sentido da visão porque numa outra passagem ele diz: "Se possível fora, teríeis arrancado os vossos próprios olhos para mos dar" e mais adiante, na mesma epístola, diz: "vede com que letras grandes vos escrevi do meu próprio punho." Gálatas 4:15 e 6:11.
Talvez seja bom não sabermos qual era o espinho na carne de Paulo, pois há tragédias ainda piores do que a perda da visão - como ficar tetraplégico, por exemplo. Mas é maravilhoso o facto de que, ao assumirmos uma atitude positiva, a graça de Deus poder capacitar-nos a triunfar sobre a tragédia.

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

CISTERNAS ROTAS E ÁGUA DA VIDA

O Meu povo cometeu dois pecados terríveis: eles Me abandonaram, a Mim, a Fonte da água da Vida, e construíram para si poços furados, que não prendem a água! Jeremias 2:13 (A Bíblia Viva)

Tive o privilégio de participar, junto com um grupo, numa viagem às terras bíblicas. Num dos nossos passeios, visitámos Petra, a antiga capital dos endomitas. A cidadela daquele povo situava-se numa colorida mesa de arenito, cujo topo se inclinava na direcção de um declive muito acentuado. Tinham sido feitos pequenos canais no arenito para conduzir a água da chuva a várias cisternas escavadas perto do declive. Aqueles reservatórios agora estavam totalmente secos, incapazes de reter água - se devido a terramotos ou à passagem do tempo, não sei.
No nosso versículo, a água representa a verdade. O povo nos dias de Jeremias tinha abandonado Deus, a Fonte da verdade, substituindo-O por deuses falsos e práticas religiosas associadas a eles. As mensagens de Jeremias tencionavam despertar o povo para a sua necessidade do Deus verdadeiro.
Há alguns anos, uma casa perto de Bucyrus, nos Estados Unidos, foi atingida por um raio. Em muito menos tempo do que se levava para contar a história, o raio queimou uma trilha pelos beirais da casa, através das calhas e para dentro da cisterna. Por sorte a casa não se incendiou. Algum tempo depois da tempestade, um dos filhos daquela família foi encarregado de encher um balde de água e ele descobriu que a cisterna estava seca. Um exame atento mostrou que o raio tinha aberto um buraco no fundo da cisterna, fazendo com que a água vazasse.
Quando o pai desceu para vedar o furo, ouviu um som de água corrente. Depois de investigar descobriu um lençol de água subterrâneo. Foi cavado um poço onde antes estava a cisterna, e daquele dia em diante a família teve abundância de água fresca, pura e límpida. Perderam uma cisterna, mas ganharam uma fonte inesgotável de água viva.
Porque é que Deus precisa de atingir o Seu povo com um 'raio', no sentido figurado, para o ter de volta para Ele, quando poderíamos aceitar o Seu amável convite? "Ah! Todos vós os que tendes sede, vinde às águas"? Isaías 55:1. Só nós podemos responder a esta pergunta.

domingo, 26 de agosto de 2012

COMO O AMOR TRATA O ÓDIO

Raiva e ódio só produzem brigas e confusão; mas o amor esquece e perdoa todas as ofensas. Provérbios 10:12 (A Bíblia Viva)

Aaron Burr, soldado americano e líder político, era talentoso, capaz e com boa apresentação, mas juntamente com essas admiráveis qualidades tinha um aspecto odioso de carácter, que acabou por causar a sua queda.
Por ocasião da eleição nacional de 1800, Thomas Jefferson concorreu para a presidência dos Estados Unidos como líder do Partido Democrático, tendo Burr como seu candidato para a vice-presidência. Devido a um erro crasso no processo eleitoral, Burr recebeu o mesmo número de votos de Jefferson. Como resultado a eleição teve de ser decidida no Congresso.
Lá, Burr passou a incentivar os congressistas para que o elegessem presidente, em lugar de Jefferson. Este, por sua vez, foi suficientemente sábio para manter-se calado. Mas Alexander Hamilton um oponente federalista que odiava Burr e, aparentemente, percebia mais do que Jefferson os defeitos de carácter de Burr, persuadiu o Congresso a eleger Jefferson, e não Burr. Este nunca perdoou a Hamilton.
Em 1804, quando Burr concorreu para o governo de Nova Iorque, Hamilton mais do que uma vez usou a sua influência contra ele, e Burr perdeu de novo.
O ressentimento reprimido agora flamejou como ódio ostensivo. Burr desafiou Hamilton para um duelo. Hamilton aceitou. Os dois homens encontraram-se numa área isolada perto de Weehawken, no Estado de Nova Jersey. O tiro da pistola de Burr matou Hamilton. A vingança pode ter-lhe dado um gostinho doce, mas acabou com a carreira política de Burr. Muito tempo depois, ele admitiu que teria sido mais sábio enterrar o ódio. Se o tivesse feito, poderia ter conseguido finalmente tornar-se presidente dos Estados Unidos. Em vez disso perdeu tudo o que esperava conquistar e morreu amargurado. O ódio, no fim de contas, é auto-destrutivo.
Um cristão faz mais do que simplesmente não odiar. Ele procura activamente oportunidades de fazer o bem aos que o odeiam, de maneira aceitável. E ele fá-lo não para conquistar a admiração das multidões, ou mesmo o favor do seu inimigo (embora em alguns casos seja esse o resultado), mas porque é certo agir assim. O amor de Cristo leva-o a actuar deste modo.

sábado, 25 de agosto de 2012

PARTILHAR BÊNÇÃOS

Aquele que vos der de beber um copo de água, em Meu nome, porque sois de Cristo, em verdade vos digo que de modo algum perderá o seu galardão. Marcos 9:41

Uma vez, Sam Foss, escritor e viajante, chegou a uma cabana pequena e rústica situada no topo de uma colina, em Inglaterra. Viu ali uma placa que dizia:
"Sirva-se. Beba água fresca." A pouca distância ele encontrou uma fonte de água geladinha. Por cima da fonte estava pendurada uma caneca antiga, e sobre um banco próximo havia uma cesta de maçãs e outra placa que convidava o transeunte a servir-se.
Curioso para conhecer as pessoas que demonstravam tanta hospitalidade para com estranhos, Foss bateu à porta. Um casal idoso abriu, e Foss perguntou-lhes acerca da fonte d'água e das maçãs. Explicaram que não tinham filhos. O seu pedacinho de terra produzia uma pequena colheita, mas como tinham abundância de água fresca, queriam simplesmente partilhá-la com quem passasse por ali.
- Somos muito pobres para dar esmolas em dinheiro - disse o marido - mas achamos que deste modo podemos fazer algo pelas pessoas que passam por aqui.
Conta-se que o gesto altruísta daquele idoso casal inspirou o poema "A Casa Junto ao Caminho".
Não são os grandes presentes dados com ostentação que o Céu mais considera, mas sim os pequenos actos de amor e bondade.
Quando o tribunal do Céu se assentar, o Juiz de toda a Terra é descrito como dizendo aos justos: "Tive fome e deste-Me de comer; tive sede e deste-Me de beber; era estrangeiro e hospedaste-Me." Mateus 25:35. Mas já notou o que os justos dirão? "Senhor, quando Te vimos com fome e Te demos de comer? Ou com sede e Te demos de beber? E quando Te vimos estrangeiro e Te hospedámos?" Versos 37 e 38.
Serão estas palavras apenas uma peça teatral que os justos estarão a representar? NÃO! Estarão simplesmente a reconhecer que tudo o que fizeram foi obra de Deus, e portanto não podem merecer crédito nenhum pelas suas boas acções!