Pois não só vos compadecestes dos que estavam nas prisões, mas também com gozo aceitastes a espoliação dos vossos bens, sabendo que vós tendes uma possessão melhor e permanente. Hebreus 10:34
Se hoje a condição nas prisões é melhor do que há dois séculos, isso deve-se grandemente a John Howard, um abastado quaker inglês. Em 1773, ele foi designado xerife de Bedfordshire e interessou-se pela condição das prisões sob a sua responsabilidade. Resolveu inspeccioná-las pessoalmente. Ficou chocado com o que descobriu. Os sacerdotes e os seus subalternos não eram pagos pelas autoridades civis, mas dependiam para o seu sustento de importâncias extorquidas dos prisioneiros ou dos seus familiares. Decidido a acabar com essa prática, publicou o que tinha descoberto. Como resultado, o Parlamento aprovou dois decretos, um estipulando salários para os funcionários das prisões e outro que estabelecia padrões mínimos de assistência médica para os prisioneiros.
Mais tarde, a inspecção que Howard fez nas instituições penais da Europa resultou na reforma de penitenciárias. A sua obra filantrópica foi tão apreciada, que os seus admiradores receberam mais de 1.500 libras esterlinas (uma pequena fortuna para aquele tempo), para se erguer uma estátua em sua homenagem. Quando tomou conhecimento do projecto, Howard implorou - na verdade, exigiu - que fosse suspenso, e foi.
Em Fevereiro de 1789, Howard decidiu visitar a Rússia e outros países orientais, onde as condições das prisões eram indescritíveis. Tinha 72 anos quando partiu para a Rússia. Deixou para trás estas palavras inspiradoras: "Não sou insensível aos perigos que podem acompanhar esta viagem. ... Se Deus achar por bem interromper a minha vida na prossecução deste desígnio, que a minha conduta não seja indevidamente atribuída a um arrebatamento ou entusiasmo, mas a uma séria e deliberada convicção de que persigo a trilha do dever, e a um sincero desejo de converter-me em instrumento de maior utilidade para os meus semelhantes, do que seria possível no círculo mais estreito da vida de um aposentado."
No ano seguinte, Howard morreu de tifo. Foi um homem que considerou o prémio celestial pelo serviço abnegado mais importante do que a comodidade ou as posses terrenas.
Um bom exemplo para nós!
O autor, Donald E. Mansell nasceu no Brasil, filho de missionários. Aos 7 anos de idade a família mudou-se para a Madeira e depois Açores. Mais tarde, a caminho de Moçambique e ao fazerem escala em Manila, pouco depois do ataque a Pearl Harbor, foram feitos prisioneiros pelos japoneses tendo estado em diferentes lugares da ilha de Luzon até serem libertos em 1945. Fez Licenciatura e Mestrado em Teologia nos EUA. Foi Pastor, Professor, Redactor. Livro editado pela Publicadora Atlântico em 1999.
terça-feira, 31 de janeiro de 2012
segunda-feira, 30 de janeiro de 2012
DEUS ESPALHA A SUA PALAVRA
Crescia a palavra de Deus em Jerusalém e se multiplicava o número dos discípulos; também muitíssimos sacerdotes obedeciam à fé. Actos 6:7
Quando trabalhei como missionário na cidade de Manaus, conheci dois irmãos ingleses que eram tradutores da Bíblia de Wycliffe. Estavam a fazer a grande obra de traduzir a Palavra de Deus para a língua dos índios que viviam ao longo do Rio Amazonas. Todos os cristãos são devedores de gratidão profunda para com a grande obra realizada por esses fiéis servos de Deus.
Pouco antes da Segunda Guerra Mundial, Cameron Townsend, tradutor da Bíblia de Wycliffe no México, procurou obter permissão para traduzir as Escrituras para as línguas das tribos indígenas daquele país. O sentimento anticlerical, entretanto, era forte. Um oficial disse-lhe, abruptamente: "Enquanto eu ocupar este cargo, a Bíblia nunca será traduzida para a língua dos índios." Townsend tentou outras formas de conseguir a permissão, mas foi tudo inútil.
Impedidos de actuar, Townsend e a sua mulher foram viver numa pequena e obscura aldeia indígena. Aprenderam a língua, ensinaram o povo a esperarem que Deus abrisse as portas. Um dia, Townsend observou que a fonte no centro da praça da aldeia produzia água em abundância, mas ela corria pela colina abaixo e desperdiçava-se. Ele sugeriu que os índios fizessem plantações em áreas para as quais a água pudesse ser facilmente canalizada. Em pouco tempo, os índios passaram a produzir o dobro dos alimentos. A população sentia-se agradecida. Townsend publicou a seguir um artigo num jornal mexicano acerca dessa transformação.
De algum modo, o artigo foi parar às mãos de Lázaro Cárdenas, presidente do México. O presidente ficou tão impressionado com o que leu, que foi pessoalmente à aldeia indígena e entrevistou Townsend. Durante a conversa, Townsend pediu ao presidente licença para traduzir a Bíblia para a língua dos índios. E conseguiu!
Deus nem sempre responde de imediato às nossas orações, ou exactamente como queremos, mas se de todo o coração nos submetermos à Sua vontade e seguirmos a Sua orientação, Ele nos abrirá amplas avenidas de utilidade e serviço, a ponto de surpreender-nos. Tente!
Quando trabalhei como missionário na cidade de Manaus, conheci dois irmãos ingleses que eram tradutores da Bíblia de Wycliffe. Estavam a fazer a grande obra de traduzir a Palavra de Deus para a língua dos índios que viviam ao longo do Rio Amazonas. Todos os cristãos são devedores de gratidão profunda para com a grande obra realizada por esses fiéis servos de Deus.
Pouco antes da Segunda Guerra Mundial, Cameron Townsend, tradutor da Bíblia de Wycliffe no México, procurou obter permissão para traduzir as Escrituras para as línguas das tribos indígenas daquele país. O sentimento anticlerical, entretanto, era forte. Um oficial disse-lhe, abruptamente: "Enquanto eu ocupar este cargo, a Bíblia nunca será traduzida para a língua dos índios." Townsend tentou outras formas de conseguir a permissão, mas foi tudo inútil.
Impedidos de actuar, Townsend e a sua mulher foram viver numa pequena e obscura aldeia indígena. Aprenderam a língua, ensinaram o povo a esperarem que Deus abrisse as portas. Um dia, Townsend observou que a fonte no centro da praça da aldeia produzia água em abundância, mas ela corria pela colina abaixo e desperdiçava-se. Ele sugeriu que os índios fizessem plantações em áreas para as quais a água pudesse ser facilmente canalizada. Em pouco tempo, os índios passaram a produzir o dobro dos alimentos. A população sentia-se agradecida. Townsend publicou a seguir um artigo num jornal mexicano acerca dessa transformação.
De algum modo, o artigo foi parar às mãos de Lázaro Cárdenas, presidente do México. O presidente ficou tão impressionado com o que leu, que foi pessoalmente à aldeia indígena e entrevistou Townsend. Durante a conversa, Townsend pediu ao presidente licença para traduzir a Bíblia para a língua dos índios. E conseguiu!
Deus nem sempre responde de imediato às nossas orações, ou exactamente como queremos, mas se de todo o coração nos submetermos à Sua vontade e seguirmos a Sua orientação, Ele nos abrirá amplas avenidas de utilidade e serviço, a ponto de surpreender-nos. Tente!
domingo, 29 de janeiro de 2012
EM MOVIMENTO
Por causa do Teu nome, Tu me conduzirás e me guiarás. Salmo 31:3
Certa vez ouvi Dwight A. Delafield declarar que Deus nunca dirige algo que não esteja em movimento. Isto é verdade.
A minha mulher tinha 55 anos de idade e eu 64 quando aprendemos a esquiar. Uma das coisas que aprendemos (do modo mais difícil) foi que não podemos guiar os esquis a menos que estejamos em movimento. Guiar significa dar direcção a algo que se move. Quando eu era criança, o meu pai fez-me um 'carro' sem rodas com uma armação de madeira. Guardo uma fotografia dele. Tinha um 'volante', mas apesar de todo o meu empenho na direcção, o único lugar para onde ia era para algum ponto na minha imaginação.
Outro dia, enquanto caminhava por uma galeria de lojas, parei para observar um miúdo que 'dirigia' um carro de corridas num ecrã de vídeo. As manobras violentas pareciam invalidar a declaração de Delafield. Seria mesmo? Na realidade, não. Com efeito, o 'carro de corridas' não ia a lugar nenhum, a não ser no ecrã do vídeo. Embora parecesse que o miúdo 'guiava' algo, ele estava apenas a dirigir uma ilusão.
Algumas pessoas recostam-se, não fazem nada, e esperam que o Senhor as 'dirija'. Outras oram: "Senhor, guia-me" e depois recusam-se a seguir a direcção que Deus lhes mostrou. Talvez você já tenha orado dessa maneira. Eu já.
O Senhor não nos revela tudo o que vai acontecer no futuro. Se Ele o fizesse, não precisaríamos de fé. Deus guia-nos passo a passo. Quando damos um passo com fé, e pela Sua graça fazemos aquilo que sabemos ser certo, por outras palavras, quando nos colocamos em movimento, Ele guia-nos para o próximo passo.
Ao recapitular a sua vida hoje, pode ver que Deus o tem dirigido? Ou estará Ele à espera de que você se coloque em movimento? Não estou a dizer movimentar-se no rumo que lhe parece certo seguir (ver Provérbios 14:12), mas na direcção que Deus quer que você vá. E nunca se esqueça: "Não cabe ao que caminha o dirigir os seus passos." Jeremias 10:23. Tanto no campo físico como no espiritual, Deus só guia algo em movimento! Se lhe parece que não vai a lugar nenhum espiritualmente, mova-se na direcção para a qual sabe que Deus quer dirigi-lo, e Ele o conduzirá para o passo seguinte!
Certa vez ouvi Dwight A. Delafield declarar que Deus nunca dirige algo que não esteja em movimento. Isto é verdade.
A minha mulher tinha 55 anos de idade e eu 64 quando aprendemos a esquiar. Uma das coisas que aprendemos (do modo mais difícil) foi que não podemos guiar os esquis a menos que estejamos em movimento. Guiar significa dar direcção a algo que se move. Quando eu era criança, o meu pai fez-me um 'carro' sem rodas com uma armação de madeira. Guardo uma fotografia dele. Tinha um 'volante', mas apesar de todo o meu empenho na direcção, o único lugar para onde ia era para algum ponto na minha imaginação.
Outro dia, enquanto caminhava por uma galeria de lojas, parei para observar um miúdo que 'dirigia' um carro de corridas num ecrã de vídeo. As manobras violentas pareciam invalidar a declaração de Delafield. Seria mesmo? Na realidade, não. Com efeito, o 'carro de corridas' não ia a lugar nenhum, a não ser no ecrã do vídeo. Embora parecesse que o miúdo 'guiava' algo, ele estava apenas a dirigir uma ilusão.
Algumas pessoas recostam-se, não fazem nada, e esperam que o Senhor as 'dirija'. Outras oram: "Senhor, guia-me" e depois recusam-se a seguir a direcção que Deus lhes mostrou. Talvez você já tenha orado dessa maneira. Eu já.
O Senhor não nos revela tudo o que vai acontecer no futuro. Se Ele o fizesse, não precisaríamos de fé. Deus guia-nos passo a passo. Quando damos um passo com fé, e pela Sua graça fazemos aquilo que sabemos ser certo, por outras palavras, quando nos colocamos em movimento, Ele guia-nos para o próximo passo.
Ao recapitular a sua vida hoje, pode ver que Deus o tem dirigido? Ou estará Ele à espera de que você se coloque em movimento? Não estou a dizer movimentar-se no rumo que lhe parece certo seguir (ver Provérbios 14:12), mas na direcção que Deus quer que você vá. E nunca se esqueça: "Não cabe ao que caminha o dirigir os seus passos." Jeremias 10:23. Tanto no campo físico como no espiritual, Deus só guia algo em movimento! Se lhe parece que não vai a lugar nenhum espiritualmente, mova-se na direcção para a qual sabe que Deus quer dirigi-lo, e Ele o conduzirá para o passo seguinte!
sábado, 28 de janeiro de 2012
AS PROFUNDEZAS DO OCEANO
Tornará a ter compaixao de nós; pisará aos pés as nossas iniquidades, e lançará todos os nossos pecados nas profundezas do mar. Miquéias 7:19
Eu tinha seis anos de idade quando a minha familia voltou do trabalho missionário no Brasil. Na viagem para os Estados Unidos, a certa distância de Porto Rico, o Capitão Evans, comandante do nosso navio S.S. Alban, pôs-se em pé no convés superior do navio e apontou para baixo: "O oceano, aqui, tem oito quilómetros de profundidade."
Isso é fundo, mas há lugares mais fundos ainda. O ponto mais profundo do mundo fica na Fossa das Marianas, ao largo da costa oriental das Filipinas. Tem a profundidade de 11.033 metros - 2.185 metros mais de profundidade do que o monte Everest tem de altura!
No dia 23 de Janeiro de 1960, o batíscafo Trieste, com Jaques Piccard e o Tenente Donald Walsh a bordo, desceu a esse espantoso abismo. Ao aproximarem-se do fundo, ouviram um ruído forte com som de algo a quebrar. Uma inspecção revelou que uma das escotilhas de observação se tinha rompido sob a tremenda pressão de quase oito toneladas por polegadas quadradas. Os homens tiveram de decidir se continuavam ali ou subiam para a superfície. Depois de examinarem o dano, chegaram à conclusão de que não era suficientemente grave para abortar a missão e desceram 10.800 metros. Encontraram o fundo do oceano coberto por uma camada macia de lodo.
Quando Deus promete lançar os nossos pecados nas profundezas do mar (Miqueias 7:19), na realidade está a dizer que, quanto a Ele, já colocou esses pecados fora da memória (ver Hebreus 10:17). A Bíblia também diz: "Quanto dista o Oriente do Ocidente, assim afasta de nós as nossas transgressões." Salmo 103:12. Ninguém sabe quão longe é isso, pois a distância é infinita.
Apesar disso, existem pessoas - algumas das quais cristãs professas - que são óptimas mergulhadoras. Não sei que tipo de instrumentos e roupas usam para descer até ao fundo, mas esses chafurdeiros parecem gostar de turvar a lama das profundezas e agitar coisas que Deus já permitiu que se afundassem.
Se Deus já lançou nas profundezas do mar pecados a Ele confessados, perdoados e abandonados, não seria melhor deixá-los onde estão, sossegadinhos?
Eu tinha seis anos de idade quando a minha familia voltou do trabalho missionário no Brasil. Na viagem para os Estados Unidos, a certa distância de Porto Rico, o Capitão Evans, comandante do nosso navio S.S. Alban, pôs-se em pé no convés superior do navio e apontou para baixo: "O oceano, aqui, tem oito quilómetros de profundidade."
Isso é fundo, mas há lugares mais fundos ainda. O ponto mais profundo do mundo fica na Fossa das Marianas, ao largo da costa oriental das Filipinas. Tem a profundidade de 11.033 metros - 2.185 metros mais de profundidade do que o monte Everest tem de altura!
No dia 23 de Janeiro de 1960, o batíscafo Trieste, com Jaques Piccard e o Tenente Donald Walsh a bordo, desceu a esse espantoso abismo. Ao aproximarem-se do fundo, ouviram um ruído forte com som de algo a quebrar. Uma inspecção revelou que uma das escotilhas de observação se tinha rompido sob a tremenda pressão de quase oito toneladas por polegadas quadradas. Os homens tiveram de decidir se continuavam ali ou subiam para a superfície. Depois de examinarem o dano, chegaram à conclusão de que não era suficientemente grave para abortar a missão e desceram 10.800 metros. Encontraram o fundo do oceano coberto por uma camada macia de lodo.
Quando Deus promete lançar os nossos pecados nas profundezas do mar (Miqueias 7:19), na realidade está a dizer que, quanto a Ele, já colocou esses pecados fora da memória (ver Hebreus 10:17). A Bíblia também diz: "Quanto dista o Oriente do Ocidente, assim afasta de nós as nossas transgressões." Salmo 103:12. Ninguém sabe quão longe é isso, pois a distância é infinita.
Apesar disso, existem pessoas - algumas das quais cristãs professas - que são óptimas mergulhadoras. Não sei que tipo de instrumentos e roupas usam para descer até ao fundo, mas esses chafurdeiros parecem gostar de turvar a lama das profundezas e agitar coisas que Deus já permitiu que se afundassem.
Se Deus já lançou nas profundezas do mar pecados a Ele confessados, perdoados e abandonados, não seria melhor deixá-los onde estão, sossegadinhos?
sexta-feira, 27 de janeiro de 2012
A ATRACÇÃO DOS LIVROS
Quando vieres traz a capa que deixei em Troas... e os livros, principalmente os pergaminhos. II Timóteo 4:13
Entre as últimas palavras escritas pelo grande apóstolo Paulo, encontra-se este simples pedido: "Traz... os livros, principalmente os pergaminhos." O apóstolo encontrava-se confinado dentro de um calabouço em Roma. Pressentia claramente aproximar-se o dia do seu martírio. Com palavras dramáticas rogava a Timóteo para vir ter com ele, uma vez que todos o tinham abandonado. Na sua solidão, desejava ardentemente a presença confortadora de um amigo como Timóteo. Desejava também que o jovem pastor de Éfeso trouxesse com ele os livros e os pergaminhos. A diferença entre os dois é que os primeiros eram feitos de papiro, e não de pergaminho.
Alguns eruditos crêem que estes pergaminhos eram "a versão de Paulo do Antigo Testamento para o grego, que não era uma carga pequena, que pudesse ser carregada daqui para ali", ou "possivelmente cópias oficiais das palavras de Jesus, ou narrativas primitivas da Sua vida."
Os livros eram uma parte importante na vida deste eloquente pregador, e agora, no crepúsculo do seu ministério, ele desejou o conforto e a inspiração dos grandes livros.
Há cristãos que no seu 'zelo sem entendimento', desprezam de um modo geral os bons livros. Crêem que a Bíblia lhes é suficiente. Calvino (1509-1564), entretanto, vale-se do pedido de Paulo para refutar "a insensatez dos fanáticos que desprezam os livros e condenam toda a leitura, gloriando-se somente do seu fervor e das suas aspirações particulares acerca de Deus."
Alguns comentaristas da Bíblia destacaram o paralelismo histórico existente entre Paulo, em Roma, e William Tyndale (1494-1536), quinze séculos depois. Perseguido e preso na Bélgica por causa da sua fé, pouco antes do seu martírio, Tyndale escreveu uma carta ao Marquês de Bergen, dizendo: "Rogo de Vossa Senhoria, pelo Senhor Jesus, que, se eu tiver de ficar aqui durante o inverno, suplique ao comissário a fineza de me mandar duas coisas que são minhas, ... um gorro de lã, sinto dolorosamente o frio na minha cabeça e também uma capa mais quente, pois a que tenho é muito fina. ... Mas, acima de tudo, a minha Bíblia hebraica, a minha Gramática e o meu Vocabulário, para que eu use o meu tempo nesta actividade."
Tanto o apóstolo Paulo como William Tyndale, mesmo em circunstâncias adversas, não ocultaram o seu profundo amor aos livros.
Um crente que não lê assemelha-se a uma alma solitária e aflita que desconhece as atracções e encantos existentes no maravilhoso e fascinante mundo dos livros.
Enoch de Oliveira in Cada Dia com Deus
Entre as últimas palavras escritas pelo grande apóstolo Paulo, encontra-se este simples pedido: "Traz... os livros, principalmente os pergaminhos." O apóstolo encontrava-se confinado dentro de um calabouço em Roma. Pressentia claramente aproximar-se o dia do seu martírio. Com palavras dramáticas rogava a Timóteo para vir ter com ele, uma vez que todos o tinham abandonado. Na sua solidão, desejava ardentemente a presença confortadora de um amigo como Timóteo. Desejava também que o jovem pastor de Éfeso trouxesse com ele os livros e os pergaminhos. A diferença entre os dois é que os primeiros eram feitos de papiro, e não de pergaminho.
Alguns eruditos crêem que estes pergaminhos eram "a versão de Paulo do Antigo Testamento para o grego, que não era uma carga pequena, que pudesse ser carregada daqui para ali", ou "possivelmente cópias oficiais das palavras de Jesus, ou narrativas primitivas da Sua vida."
Os livros eram uma parte importante na vida deste eloquente pregador, e agora, no crepúsculo do seu ministério, ele desejou o conforto e a inspiração dos grandes livros.
Há cristãos que no seu 'zelo sem entendimento', desprezam de um modo geral os bons livros. Crêem que a Bíblia lhes é suficiente. Calvino (1509-1564), entretanto, vale-se do pedido de Paulo para refutar "a insensatez dos fanáticos que desprezam os livros e condenam toda a leitura, gloriando-se somente do seu fervor e das suas aspirações particulares acerca de Deus."
Alguns comentaristas da Bíblia destacaram o paralelismo histórico existente entre Paulo, em Roma, e William Tyndale (1494-1536), quinze séculos depois. Perseguido e preso na Bélgica por causa da sua fé, pouco antes do seu martírio, Tyndale escreveu uma carta ao Marquês de Bergen, dizendo: "Rogo de Vossa Senhoria, pelo Senhor Jesus, que, se eu tiver de ficar aqui durante o inverno, suplique ao comissário a fineza de me mandar duas coisas que são minhas, ... um gorro de lã, sinto dolorosamente o frio na minha cabeça e também uma capa mais quente, pois a que tenho é muito fina. ... Mas, acima de tudo, a minha Bíblia hebraica, a minha Gramática e o meu Vocabulário, para que eu use o meu tempo nesta actividade."
Tanto o apóstolo Paulo como William Tyndale, mesmo em circunstâncias adversas, não ocultaram o seu profundo amor aos livros.
Um crente que não lê assemelha-se a uma alma solitária e aflita que desconhece as atracções e encantos existentes no maravilhoso e fascinante mundo dos livros.
Enoch de Oliveira in Cada Dia com Deus
quinta-feira, 26 de janeiro de 2012
MARCOS 4:20
Mas outras pessoas são como a semente que caiu em boa terra: ouvem a mensagem de Deus, recebem-na e dão fruto, uns trinta, outros sessenta e outros cem vezes mais. Marcos 4:20
Kandavalli Rajeshwar Rao, um homem dos seus quarenta anos, nasceu em Madras, na Índia, e foi criado como hindu. Certo dia, há alguns anos atrás, ele estava a visitar uns familiares quando por volta das quatro horas da manhã foi despertado de um sono profundo por uma voz que disse as seguintes palavras: "Marcos 4:20." Nada mais. Ele despertou todos os que dormiam e perguntou:
- Vocês ouviram uma voz?
Ninguém tinha ouvido. Quando começou a cochilar de novo, a voz repetiu: "Marcos 4:20". Mais uma vez, ninguém tinha ouvido a voz. A curiosidade dele cresceu.
Quando Rao voltou para casa, perguntou a um sacerdote hindu o que significava a expressão Marcos 4:20. O sacerdote não sabia, mas sugeriu que ele fizesse a pergunta a um mestre da lei muçulmana. Rao foi procurar o mestre. O homem disse que não conhecia o significado de Marcos 4:20, mas achava que poderia estar relacionado com os cristãos.
Rao então fez a pergunta a um pastor baptista, que o leu todo, duas vezes. Pouco tempo depois de repetir uma segunda leitura, recebeu de alguns jovens um folheto que anunciava reuniões evangelísticas. Rao e a esposa assistiram à série num local onde se encontravam cerca de 600 pessoas presentes. Quando o evangelista fez o apelo Rao e a sua esposa decidiram colocar-se ao lado de Cristo.
Depois de mais estudos foram baptizados e Rao sentiu-se chamado para o ministério e matriculou-se no Spicer Memorial College. Após a formatura, achou que a sua missão era levar o evangelho ao povo Gond, uma tribo que nunca tinha ouvido a Palavra de Deus. A princípio, as pessoas da aldeia pensaram que ele fosse um agente policial e recusaram-se a ouvi-lo. Depois, sequestraram o seu filho. Felizmente alguém presenciou o facto e contou-o a Rao, que saiu atrás dos sequestradores de bicicleta. Quando alcançou os homens, perguntou-lhes porque estavam a levar o seu filho.
Nós vamos matá-lo - responderam.
Então matem-me também - disse Rao - mas aceitem Jesus como Salvador.
Impressionados, os sequestradores deixaram que ambos partissem. Depois de trabalhar entre esse povo durante dois anos, Rao baptizou o homem que tinha instigado o sequestro. Dois anos depois mais cinquenta pessoas se converteram a Cristo. A minha mulher e eu conhecemos o Pastor Rao em Pune, em 1991. Marcos 4:20 está a cumprir-se na Índia!
Kandavalli Rajeshwar Rao, um homem dos seus quarenta anos, nasceu em Madras, na Índia, e foi criado como hindu. Certo dia, há alguns anos atrás, ele estava a visitar uns familiares quando por volta das quatro horas da manhã foi despertado de um sono profundo por uma voz que disse as seguintes palavras: "Marcos 4:20." Nada mais. Ele despertou todos os que dormiam e perguntou:
- Vocês ouviram uma voz?
Ninguém tinha ouvido. Quando começou a cochilar de novo, a voz repetiu: "Marcos 4:20". Mais uma vez, ninguém tinha ouvido a voz. A curiosidade dele cresceu.
Quando Rao voltou para casa, perguntou a um sacerdote hindu o que significava a expressão Marcos 4:20. O sacerdote não sabia, mas sugeriu que ele fizesse a pergunta a um mestre da lei muçulmana. Rao foi procurar o mestre. O homem disse que não conhecia o significado de Marcos 4:20, mas achava que poderia estar relacionado com os cristãos.
Rao então fez a pergunta a um pastor baptista, que o leu todo, duas vezes. Pouco tempo depois de repetir uma segunda leitura, recebeu de alguns jovens um folheto que anunciava reuniões evangelísticas. Rao e a esposa assistiram à série num local onde se encontravam cerca de 600 pessoas presentes. Quando o evangelista fez o apelo Rao e a sua esposa decidiram colocar-se ao lado de Cristo.
Depois de mais estudos foram baptizados e Rao sentiu-se chamado para o ministério e matriculou-se no Spicer Memorial College. Após a formatura, achou que a sua missão era levar o evangelho ao povo Gond, uma tribo que nunca tinha ouvido a Palavra de Deus. A princípio, as pessoas da aldeia pensaram que ele fosse um agente policial e recusaram-se a ouvi-lo. Depois, sequestraram o seu filho. Felizmente alguém presenciou o facto e contou-o a Rao, que saiu atrás dos sequestradores de bicicleta. Quando alcançou os homens, perguntou-lhes porque estavam a levar o seu filho.
Nós vamos matá-lo - responderam.
Então matem-me também - disse Rao - mas aceitem Jesus como Salvador.
Impressionados, os sequestradores deixaram que ambos partissem. Depois de trabalhar entre esse povo durante dois anos, Rao baptizou o homem que tinha instigado o sequestro. Dois anos depois mais cinquenta pessoas se converteram a Cristo. A minha mulher e eu conhecemos o Pastor Rao em Pune, em 1991. Marcos 4:20 está a cumprir-se na Índia!
quarta-feira, 25 de janeiro de 2012
A VOZ DE DEUS
... E a Sua voz (era) como a voz de muitas águas. Apocalipse 1:15
Quando as luzes do primeiro século se apagavam, na rochosa ilha de Patmos, situada no mar Egeu, encontrava-se exilado o evangelista João, o último sobrevivente dos 12 apóstolos de Cristo. Naquela solitária colónia penal, entre o silêncio dos penhascos e o ruído das ondas do mar açoitadas pelo vento, ele contemplava a glória do Senhor. Em visão fulgurante, viu "ao Filho do Homem, vestido até aos pés de um vestido comprido, e cingido pelos peitos com um cinto de ouro." (Apocalipse 1:13). E concluiu a sua descrição com esta síntese magistral: "e a sua voz (era) como a voz de muitas águas".
A voz de Deus chega aos homens em distintas manifestações, e ouvimo-la em vários matizes. Por vezes, percebemo-la no ruído estrepitoso das grandes cachoeiras; ou no murmúrio quase imperceptível dos regatos que se movem suavemente. A voz de Deus faz-se ouvir algumas vezes no sopro impetuoso das tormentas ou também na brisa fresca das manhãs primaveris. Ouvimo-la no clarão dos relâmpagos que iluminam as noites tempestuosas e nas miríades de estrelas que cintilam nas nossas noites tropicais.
Moisés ouviu a voz de Deus no meio da sarça que ardia, mas não se consumia. Elias ouviu-a, quando esmagado pelo desalento, deitado debaixo de uma árvore num dos desertos de Horeb. Escutou-a Isaías, no templo: "Vi ao Senhor assentado sobre um alto e sublime trono. ... E ouvi a voz do Senhor." Isaías 6:1, 8.
Escutaram, enfim, a voz de Deus, homens e mulheres piedosos através da história. A Palavra declara: "Havendo Deus antigamente falado muitas vezes, e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, a nós falou-nos nestes últimos dias pelo Filho." Hebreus 1:1.
Quando escutamos a voz de Deus, algo extraordinário sucede dentro de nós. Não podemos escutar essa voz e seguir o curso da nossa vida sem experimentar uma grande transformação. Bastará ouvi-la uma só vez para que a consciência da nossa própria pecaminosidade se desperte. E essa foi a experiência do profeta Isaías. Quando a voz de Deus ressoou na sua consciência, ele exclamou perplexo: "Ai de mim que vou perecendo, porque sou homem de lábios impuros." Isaías 6:5.
Mas quando a boca de Isaías foi tocada pela brasa viva tirada do altar, sentiu-se purificado dos seus pecados, e ao ouvir a "voz do Senhor que dizia: A quem enviarei e quem há-de ir por nós?" Respondeu Isaías: "Eis-me aqui, envia-me a mim." Isaías 6:6-8.
Felizes são os que, em meio à agitação e tumulto deste século, podem ouvir a voz de Deus falando-lhes ao coração.
Enoch de Oliveira in Cada Dia com Deus
Quando as luzes do primeiro século se apagavam, na rochosa ilha de Patmos, situada no mar Egeu, encontrava-se exilado o evangelista João, o último sobrevivente dos 12 apóstolos de Cristo. Naquela solitária colónia penal, entre o silêncio dos penhascos e o ruído das ondas do mar açoitadas pelo vento, ele contemplava a glória do Senhor. Em visão fulgurante, viu "ao Filho do Homem, vestido até aos pés de um vestido comprido, e cingido pelos peitos com um cinto de ouro." (Apocalipse 1:13). E concluiu a sua descrição com esta síntese magistral: "e a sua voz (era) como a voz de muitas águas".
A voz de Deus chega aos homens em distintas manifestações, e ouvimo-la em vários matizes. Por vezes, percebemo-la no ruído estrepitoso das grandes cachoeiras; ou no murmúrio quase imperceptível dos regatos que se movem suavemente. A voz de Deus faz-se ouvir algumas vezes no sopro impetuoso das tormentas ou também na brisa fresca das manhãs primaveris. Ouvimo-la no clarão dos relâmpagos que iluminam as noites tempestuosas e nas miríades de estrelas que cintilam nas nossas noites tropicais.
Moisés ouviu a voz de Deus no meio da sarça que ardia, mas não se consumia. Elias ouviu-a, quando esmagado pelo desalento, deitado debaixo de uma árvore num dos desertos de Horeb. Escutou-a Isaías, no templo: "Vi ao Senhor assentado sobre um alto e sublime trono. ... E ouvi a voz do Senhor." Isaías 6:1, 8.
Escutaram, enfim, a voz de Deus, homens e mulheres piedosos através da história. A Palavra declara: "Havendo Deus antigamente falado muitas vezes, e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, a nós falou-nos nestes últimos dias pelo Filho." Hebreus 1:1.
Quando escutamos a voz de Deus, algo extraordinário sucede dentro de nós. Não podemos escutar essa voz e seguir o curso da nossa vida sem experimentar uma grande transformação. Bastará ouvi-la uma só vez para que a consciência da nossa própria pecaminosidade se desperte. E essa foi a experiência do profeta Isaías. Quando a voz de Deus ressoou na sua consciência, ele exclamou perplexo: "Ai de mim que vou perecendo, porque sou homem de lábios impuros." Isaías 6:5.
Mas quando a boca de Isaías foi tocada pela brasa viva tirada do altar, sentiu-se purificado dos seus pecados, e ao ouvir a "voz do Senhor que dizia: A quem enviarei e quem há-de ir por nós?" Respondeu Isaías: "Eis-me aqui, envia-me a mim." Isaías 6:6-8.
Felizes são os que, em meio à agitação e tumulto deste século, podem ouvir a voz de Deus falando-lhes ao coração.
Enoch de Oliveira in Cada Dia com Deus
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