Eu, eu mesmo, sou o que apago as tuas transgressões por amor de Mim, e dos teus pecados não Me lembro. Isaías 43:25
O tempo é um grande remédio. Enquanto ele passa, as coisas de menos importância tendem a tornar-se insignificantes e a desaparecer. As coisas difíceis de esquecer são geralmente aquelas que nos magoam o ego ou a consciência. Todos nós conhecemos pessoas que nunca perdoam e nunca esquecem. Também conhecemos pessoas que perdoam (ou pelo menos dizem que perdoam), mas nunca esquecem. Com Deus é diferente. Quando os nossos pecados são confessados, perdoados e abandonados, Ele trata-nos como se nunca tivéssemos pecado. A única maneira de fazê-los reviver é procurá-los novamente. (Ver Ezequiel 33:8-16.)
Porque iria alguém procurar trazer os seus pecados de volta, quando Deus os colocou fora da Sua memória tão completamente (é um mistério), a ponto de tratar-nos como se nunca tivéssemos pecado? Talvez nunca cheguemos a entender como Deus faz a parte d'Ele, mas pela fé podemos aceitar o facto de que Ele tem o poder para fazê-lo.
Clara Barton, fundadora da Cruz Vermelha Americana, conversava certo dia com uma amiga, quando esta lhe perguntou se ela se lembrava de um acto especialmente cruel de alguém contra ela, infligido anos atrás. Clara disse que não se lembrava do incidente.
- Mas tu não podes ter-te esquecido - insistiu a amiga.
- Não - respondeu Clara. - Eu não me recordo mesmo, mas eu lembro-me
perfeitamente de tê-lo esquecido.
Uma leve repreensão?... Provavelmente. Afinal de contas, como pode alguém esquecer-se de algo do qual se lembra perfeitamente de ter esquecido? Paradoxal, não é? Parece uma contradição, mas na verdade não é. Algumas coisas podem ser tão dolorosas, que a pessoa não consegue lembrar-se delas.
Normalmente, uma pessoa considera muito difícil esse processo. Mas no domínio espiritual, podemos consegui-lo quando nos tornamos participantes da natureza divina. Se o consentirmos, Deus, que é um perfeito 'esquecedor', partilhará connosco essa capacidade especial, de modo que nós também não nos lembremos mais dos nossos pecados. A razão, naturalmente, é que Jesus tomou sobre Si esses pecados, e eles deixaram de ser nossos.
O autor, Donald E. Mansell nasceu no Brasil, filho de missionários. Aos 7 anos de idade a família mudou-se para a Madeira e depois Açores. Mais tarde, a caminho de Moçambique e ao fazerem escala em Manila, pouco depois do ataque a Pearl Harbor, foram feitos prisioneiros pelos japoneses tendo estado em diferentes lugares da ilha de Luzon até serem libertos em 1945. Fez Licenciatura e Mestrado em Teologia nos EUA. Foi Pastor, Professor, Redactor. Livro editado pela Publicadora Atlântico em 1999.
quarta-feira, 7 de março de 2012
terça-feira, 6 de março de 2012
SAMARITANOS SEM NOME
Certo samaritano, que seguia o seu caminho, passou-lhe perto e, vendo-o compadeceu-se dele (do homem ferido). E, chegando-se, pensou-lhe os ferimentos. Lucas 10:33 e 34
Num Inverno, durante a última parte do século dezoito, Jean Frédéric Oberlin, pastor na Alsácia, França, viajava a pé pelas montanhas nas proximidades de Estrasburgo, quando se perdeu. Teria morrido com certeza, caído no meio de um temporal de neve, se não tivesse sido apanhado por um carroceiro que casualmente por ali passava. Depois de recuperar os sentidos, Oberlin ofereceu uma recompensa ao seu benfeitor. O homem, polidamente, recusou-se a aceitar qualquer coisa.
- Bem - disse Oberlin - diga-me pelo menos o seu nome.
- Está certo - respondeu o estranho com um sorriso. - Diga-me o nome do Bom Samaritano.
- O seu nome não ficou registado - respondeu Oberlin.
- Então permita-me ocultar o meu - insistiu o estranho.
A pecaminosa natureza humana nem sempre é tão modesta. Ela anseia por reconhecimento, mesmo que rejeite uma recompensa. Jesus falou acerca dessa fraqueza em algumas ocasiões.
Era costume entre os judeus levantar impostos entre os membros da comunidade para suprir as necessidades dos pobres. Esses recursos eram aumentados por ofertas voluntárias. Além disso, de tempos em tempos eram feitos apelos para contribuições, em reuniões ao ar livre nas ruas. Especialmente, neste último caso, as pessoas eram tentadas a contribuir com grandes somas para receberem a adulação e o louvor dos circunstantes. Jesus comentou que essa forma de dar violava o genuíno espírito da caridade.
Esse é um dos extremos, mas existe o perigo de se passar para o extremo oposto, que consiste em fazer alarde quanto ao facto de não ter sido reconhecido, o que na verdade é o mesmo que chamar a atenção para aquilo que se fez!
Não sabemos quais foram as razões por que o carroceiro não quis revelar o seu nome. No nosso ponto de vista, pareceria um acto cortês. Não devemos, entretanto, julgar os seus motivos, pois não conhecemos todas as circunstâncias. Uma coisa é certa: o motivo do cristão para fazer o bem é para glorificar a Deus, e não a si mesmo.
Num Inverno, durante a última parte do século dezoito, Jean Frédéric Oberlin, pastor na Alsácia, França, viajava a pé pelas montanhas nas proximidades de Estrasburgo, quando se perdeu. Teria morrido com certeza, caído no meio de um temporal de neve, se não tivesse sido apanhado por um carroceiro que casualmente por ali passava. Depois de recuperar os sentidos, Oberlin ofereceu uma recompensa ao seu benfeitor. O homem, polidamente, recusou-se a aceitar qualquer coisa.
- Bem - disse Oberlin - diga-me pelo menos o seu nome.
- Está certo - respondeu o estranho com um sorriso. - Diga-me o nome do Bom Samaritano.
- O seu nome não ficou registado - respondeu Oberlin.
- Então permita-me ocultar o meu - insistiu o estranho.
A pecaminosa natureza humana nem sempre é tão modesta. Ela anseia por reconhecimento, mesmo que rejeite uma recompensa. Jesus falou acerca dessa fraqueza em algumas ocasiões.
Era costume entre os judeus levantar impostos entre os membros da comunidade para suprir as necessidades dos pobres. Esses recursos eram aumentados por ofertas voluntárias. Além disso, de tempos em tempos eram feitos apelos para contribuições, em reuniões ao ar livre nas ruas. Especialmente, neste último caso, as pessoas eram tentadas a contribuir com grandes somas para receberem a adulação e o louvor dos circunstantes. Jesus comentou que essa forma de dar violava o genuíno espírito da caridade.
Esse é um dos extremos, mas existe o perigo de se passar para o extremo oposto, que consiste em fazer alarde quanto ao facto de não ter sido reconhecido, o que na verdade é o mesmo que chamar a atenção para aquilo que se fez!
Não sabemos quais foram as razões por que o carroceiro não quis revelar o seu nome. No nosso ponto de vista, pareceria um acto cortês. Não devemos, entretanto, julgar os seus motivos, pois não conhecemos todas as circunstâncias. Uma coisa é certa: o motivo do cristão para fazer o bem é para glorificar a Deus, e não a si mesmo.
segunda-feira, 5 de março de 2012
TESTEMUNHO INCONSCIENTE
Vós sois a luz do mundo. Não se pode esconder a cidade edificada sobre um monte; ... Assim brilhe também a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai que está nos céus. Mateus 5:14 e 16
Há muitos anos, uma tempestade violenta derrubou uma igrejinha na costa sul da Inglaterra. A congregação era muito pobre para poder reconstruí-la. Certo dia, um representante do Almirantado visitou o pastor e perguntou-lhe quando é que os seus paroquianos pretendiam construir uma nova igreja.
- Provavelmente, nunca - respondeu o pastor. - A congregação é muito pobre.
- Bem - disse o representante do Governo - se vocês não puderem reconstruí-la, o Almirantado vai ter de fazê-lo. A sua congregação pode não saber, mas a torre da igreja era uma das referências pelas quais os navios guiavam o seu curso através do Canal. Desde o seu desaparecimento, temos recebido muitas reclamações e pedidos de ajuda.
Às vezes, um estilo de vida despretensioso, pequenos actos inesquecíveis de bondade, palavras encorajadoras proferidas sem premeditação, podem ser veículos através dos quais o Espírito Santo alcança almas e gera nelas o desejo de permitir que Cristo assuma o controlo da vida. Esses actos são como o testemunho inconsciente daquela pequena igreja.
Quando a minha mulher e eu fomos missionários em Boa Vista, capital de Roraima (na época, o território de Rio Branco), no Brasil, uma senhora pediu estudos bíblicos. Eu não sabia, mas aquela senhora tinha um filho adulto com atraso mental.
Certo dia, no meio de um estudo, ele entrou repentinamente na sala, despido e a gritar de modo inarticulado. Fiquei atónito; a mãe, embaraçada, mandou-o sair. Tentei aparentar serenidade, mas sei que não consegui.
Poucos dias depois, o nosso período de trabalho terminou e não cheguei a completar os estudos com aquela senhora. Perdemos o contacto com ela e considerei o meu testemunho um fracasso. Mas aparentemente não foi. Graças a Deus por isso! O meu amigo disse-me que ela alegava ter sido eu o instrumento para a sua entrega a Cristo, mas não reconheço nenhum crédito a meu favor.
Será que, em alguns casos, o nosso testemunho cristão é inconsciente?
Há muitos anos, uma tempestade violenta derrubou uma igrejinha na costa sul da Inglaterra. A congregação era muito pobre para poder reconstruí-la. Certo dia, um representante do Almirantado visitou o pastor e perguntou-lhe quando é que os seus paroquianos pretendiam construir uma nova igreja.
- Provavelmente, nunca - respondeu o pastor. - A congregação é muito pobre.
- Bem - disse o representante do Governo - se vocês não puderem reconstruí-la, o Almirantado vai ter de fazê-lo. A sua congregação pode não saber, mas a torre da igreja era uma das referências pelas quais os navios guiavam o seu curso através do Canal. Desde o seu desaparecimento, temos recebido muitas reclamações e pedidos de ajuda.
Às vezes, um estilo de vida despretensioso, pequenos actos inesquecíveis de bondade, palavras encorajadoras proferidas sem premeditação, podem ser veículos através dos quais o Espírito Santo alcança almas e gera nelas o desejo de permitir que Cristo assuma o controlo da vida. Esses actos são como o testemunho inconsciente daquela pequena igreja.
Quando a minha mulher e eu fomos missionários em Boa Vista, capital de Roraima (na época, o território de Rio Branco), no Brasil, uma senhora pediu estudos bíblicos. Eu não sabia, mas aquela senhora tinha um filho adulto com atraso mental.
Certo dia, no meio de um estudo, ele entrou repentinamente na sala, despido e a gritar de modo inarticulado. Fiquei atónito; a mãe, embaraçada, mandou-o sair. Tentei aparentar serenidade, mas sei que não consegui.
Poucos dias depois, o nosso período de trabalho terminou e não cheguei a completar os estudos com aquela senhora. Perdemos o contacto com ela e considerei o meu testemunho um fracasso. Mas aparentemente não foi. Graças a Deus por isso! O meu amigo disse-me que ela alegava ter sido eu o instrumento para a sua entrega a Cristo, mas não reconheço nenhum crédito a meu favor.
Será que, em alguns casos, o nosso testemunho cristão é inconsciente?
domingo, 4 de março de 2012
FORAM ACHADAS DUAS OVELHAS PERDIDAS
O meu povo tem sido ovelhas perdidas. ...Todos os que as acharam as devoraram; e os seus adversários diziam: Culpa nenhuma teremos; porque pecaram contra o Senhor. Jeremias 50:6 e 7
O falecido Dr. P. W. Philpott, pastor de uma igreja em Hamilton, no Canadá, costumava contar como um estranho uma vez o despertou às três horas da madrugada e lhe pediu que fosse orar por uma prostituta moribunda. Levantou-se, vestiu-se e acompanhou o estranho até ao local de prostituição. Lá encontrou uma jovem, adolescente ainda, a morrer. Examinou as suas feições por alguns momentos, para ver se a reconhecia. Não a reconheceu.
- O meu nome é Maria - disse ela. - O senhor não me conhece, mas eu conheço-o. Pedi para o chamarem porque tinha a certeza de que viria orar por mim. Como vê, eu sei que vou morrer. As outras não acreditam, mas eu sei que estou a morrer.
Enquanto o Dr. Philpott pensava naquilo que iria dizer, Maria pediu-lhe que lesse a Parábola da Ovelha Perdida. Depois de a ler, ele acrescentou o versículo que diz que o Bom Pastor dá a Sua vida pelas Suas ovelhas (ver Lucas 15:3-7; João 10:11).
Enquanto o Dr. Philpott se ajoelhava e orava, as outras colegas, aos soluços, ajoelharam-se à volta do leito da Maria. Quando ele terminou, Maria disse:
- Estou contente por o Bom Pastor me ter encontrado antes de ser demasiado tarde!
Com a esperança de que a Maria se restabelecesse, o Dr. Philpott foi para casa. Quando voltou na manhã seguinte, uma das jovens saiu a chorar e contou-lhe que a Maria tinha morrido.
Anos mais tarde, numa outra cidade, uma mulher dirigiu-se ao Dr. Philpott após o culto e disse:
- O senhor não se lembra, mas fui eu que lhe contei naquele dia que a Maria tinha morrido. Só que houve uma outra coisa que não lhe contei. No dia em que o Bom Pastor pôs a Maria sobre um ombro, Ele pôs-me sobre o outro.
E ela descreveu o ocorrido deste modo interessante.
A sociedade condena as meretrizes, e geralmente desculpa os homens responsáveis por iniciar e perpetuar a prostituição. O Bom Pastor não desculpa a prostituição, mas olha para além do pecado e vê, nesses homens e mulheres, almas a serem salvas. Não deveríamos nós fazer o mesmo?
O falecido Dr. P. W. Philpott, pastor de uma igreja em Hamilton, no Canadá, costumava contar como um estranho uma vez o despertou às três horas da madrugada e lhe pediu que fosse orar por uma prostituta moribunda. Levantou-se, vestiu-se e acompanhou o estranho até ao local de prostituição. Lá encontrou uma jovem, adolescente ainda, a morrer. Examinou as suas feições por alguns momentos, para ver se a reconhecia. Não a reconheceu.
- O meu nome é Maria - disse ela. - O senhor não me conhece, mas eu conheço-o. Pedi para o chamarem porque tinha a certeza de que viria orar por mim. Como vê, eu sei que vou morrer. As outras não acreditam, mas eu sei que estou a morrer.
Enquanto o Dr. Philpott pensava naquilo que iria dizer, Maria pediu-lhe que lesse a Parábola da Ovelha Perdida. Depois de a ler, ele acrescentou o versículo que diz que o Bom Pastor dá a Sua vida pelas Suas ovelhas (ver Lucas 15:3-7; João 10:11).
Enquanto o Dr. Philpott se ajoelhava e orava, as outras colegas, aos soluços, ajoelharam-se à volta do leito da Maria. Quando ele terminou, Maria disse:
- Estou contente por o Bom Pastor me ter encontrado antes de ser demasiado tarde!
Com a esperança de que a Maria se restabelecesse, o Dr. Philpott foi para casa. Quando voltou na manhã seguinte, uma das jovens saiu a chorar e contou-lhe que a Maria tinha morrido.
Anos mais tarde, numa outra cidade, uma mulher dirigiu-se ao Dr. Philpott após o culto e disse:
- O senhor não se lembra, mas fui eu que lhe contei naquele dia que a Maria tinha morrido. Só que houve uma outra coisa que não lhe contei. No dia em que o Bom Pastor pôs a Maria sobre um ombro, Ele pôs-me sobre o outro.
E ela descreveu o ocorrido deste modo interessante.
A sociedade condena as meretrizes, e geralmente desculpa os homens responsáveis por iniciar e perpetuar a prostituição. O Bom Pastor não desculpa a prostituição, mas olha para além do pecado e vê, nesses homens e mulheres, almas a serem salvas. Não deveríamos nós fazer o mesmo?
sábado, 3 de março de 2012
GUIA DIVINA
Bom e recto é o Senhor. ...Guia os humildes na justiça, e ensina aos mansos o Seu caminho. Salmo 25:8 e 9
Adonirão Judson, missionário americano baptista na Birmânia, o primeiro missionário a deixar o solo americano, sentiu o chamado de Deus para o trabalho nas missões no início do século dezanove. Em Fevereiro de 1810, dedicou a sua vida para esse fim. Dois anos mais tarde, ele e a sua esposa Ann Hesseltine partiram de barco para Calcutá, Índia, onde aportaram no dia 17 de Julho - um dia antes da deflagração da Guerra de 1812.
As relações entre a Inglaterra e a América tinham estado tensas durante algum tempo, de modo que não foi surpresa o facto de a Companhia Britânica da Índia Oriental ter ordenado que o casal deixasse o país. Foi com tristeza que eles foram para a ilha de Maurício, ao sul da Índia.
Quatro meses mais tarde voltaram para a Índia (desta vez para Madras), com a intenção de avançar na direcção do Polo Penang, uma ilha no Estreito de Malaca, onde esperavam estabelecer uma missão. Mais uma vez, a Companhia Britânica da Índia Oriental ordenou que saíssem da Índia; desta vez, a ordem era para que partissem imediatamente.
Como não havia navios destinados a Polo Penang, só um que estava de partida para Rangum, Birmânia (actualmente Mianmá), os Judson embarcaram nele. A Birmânia era o último lugar no mundo que eles teriam escolhido para o seu trabalho, mas mesmo assim sentiram que Deus os conduzia para lá. Desembarcaram em Rangum no dia 13 de Julho de 1813, e Deus começou a abrir o caminho para que levassem Cristo aos habitantes daquele país.
A despeito de perseguições, prisão, doenças graves e a morte sucessiva de três esposas, Judson continuou a trabalhar na certeza de que Deus o guiava e continuou a servir o povo da Birmânia durante os 37 anos seguintes. Apesar de todas as provações que suportou, conseguiu não só aprender o birmanês para poder pregar, mas concluiu uma tradução da Bíblia nessa língua em 1834. Mais tarde, compilou uma gramática birmanesa, bem como um dicionário.
O Senhor abençoou os esforços de Judson com muitas conversões a Cristo. "A história subsequente" - escreveu o seu filho Edward, anos mais tarde - "provou que a mão que (o) conduziu ... de modo tão estranho e severo foi a mão que nunca erra."
Essa mesma mão está pronta para o guiar a si e a mim, se formos humildes e estivermos dispostos a ser ensinados.
Adonirão Judson, missionário americano baptista na Birmânia, o primeiro missionário a deixar o solo americano, sentiu o chamado de Deus para o trabalho nas missões no início do século dezanove. Em Fevereiro de 1810, dedicou a sua vida para esse fim. Dois anos mais tarde, ele e a sua esposa Ann Hesseltine partiram de barco para Calcutá, Índia, onde aportaram no dia 17 de Julho - um dia antes da deflagração da Guerra de 1812.
As relações entre a Inglaterra e a América tinham estado tensas durante algum tempo, de modo que não foi surpresa o facto de a Companhia Britânica da Índia Oriental ter ordenado que o casal deixasse o país. Foi com tristeza que eles foram para a ilha de Maurício, ao sul da Índia.
Quatro meses mais tarde voltaram para a Índia (desta vez para Madras), com a intenção de avançar na direcção do Polo Penang, uma ilha no Estreito de Malaca, onde esperavam estabelecer uma missão. Mais uma vez, a Companhia Britânica da Índia Oriental ordenou que saíssem da Índia; desta vez, a ordem era para que partissem imediatamente.
Como não havia navios destinados a Polo Penang, só um que estava de partida para Rangum, Birmânia (actualmente Mianmá), os Judson embarcaram nele. A Birmânia era o último lugar no mundo que eles teriam escolhido para o seu trabalho, mas mesmo assim sentiram que Deus os conduzia para lá. Desembarcaram em Rangum no dia 13 de Julho de 1813, e Deus começou a abrir o caminho para que levassem Cristo aos habitantes daquele país.
A despeito de perseguições, prisão, doenças graves e a morte sucessiva de três esposas, Judson continuou a trabalhar na certeza de que Deus o guiava e continuou a servir o povo da Birmânia durante os 37 anos seguintes. Apesar de todas as provações que suportou, conseguiu não só aprender o birmanês para poder pregar, mas concluiu uma tradução da Bíblia nessa língua em 1834. Mais tarde, compilou uma gramática birmanesa, bem como um dicionário.
O Senhor abençoou os esforços de Judson com muitas conversões a Cristo. "A história subsequente" - escreveu o seu filho Edward, anos mais tarde - "provou que a mão que (o) conduziu ... de modo tão estranho e severo foi a mão que nunca erra."
Essa mesma mão está pronta para o guiar a si e a mim, se formos humildes e estivermos dispostos a ser ensinados.
sexta-feira, 2 de março de 2012
A VULNERABILIDADE DOS JUSTOS
Tendes condenado e matado o justo, sem que ele vos faça resistência. Sede, pois, irmãos, pacientes, até à vinda do Senhor. Tiago 5:6 e 7
Crê-se que Aristides, o Justo, um general e estadista ateniense, recebeu essa alcunha por causa da sua distribuição equitativa dos impostos entre os membros da aliança ateniense conhecida como a Liga Deliana.
Em 483 a.C. a ecclesia, ou assembleia dos cidadãos atenienses que se reunia no Areópago, votou banir Aristides do país por ele se ter manifestado contrário à política de Temístocles, outro general ateniense.
Conta-se que durante o processo um cidadão analfabeto, que não sabia quem era Aristides, lhe pediu que escrevesse 'Aristides' sobre um ostrakon (uma concha ou um fragmento de cerâmica), significando que o seu voto era a favor do exílio. Aristides fez o que o homem tinha pedido e depois perguntou se ele conhecia Aristides e, nesse caso, o que tinha contra ele.
- Não sei nada sobre Aristides - respondeu o homem - mas estou cansado de ouvir o povo chamar-lhe Aristides, o Justo.
(A nossa palavra 'ostracismo', por falar nisso, vem de ostrakon. Há muitos anos atrás, os arqueólogos realmente encontraram um caco de louça com o nome Aristides aí riscado; pensa-se que era um voto a favor do seu exílio.)
Alguém pode pensar que Aristides, por ter sido banido pelos seus concidadãos, se tenha voltado contra o seu mal-agradecido país, mas ele não o fez. Em 480 a.C., voltou para Atenas e desempenhou um papel importante vencendo a Maratona. Poucos dias mais tarde, na batalha de Salamis, prestou um serviço leal a - imaginem só - Temístocles, o seu oponente político.
Embora Aristides descendesse de uma abastada família ateniense, morreu pobre; tão pobre, na verdade, que não sobrou dinheiro suficiente para pagar o seu funeral.
Com frequência acontece que, à semelhança de Aristides, "quem se desvia do mal é tratado como presa". Isaías 59:15. Mas os cristãos têm o mesmo consolo de saber que Deus está a par das injustiças, pois Isaías continua a dizer: "O Senhor viu isso, e desaprovou o não haver justiça." Embora devamos ser "prudentes como as serpentes" (Mateus 10:16), nunca devemos tornar-nos cínicos. Antes, continuemos a amar e a fazer todo o bem possível àqueles que podem não gostar de nós.
Crê-se que Aristides, o Justo, um general e estadista ateniense, recebeu essa alcunha por causa da sua distribuição equitativa dos impostos entre os membros da aliança ateniense conhecida como a Liga Deliana.
Em 483 a.C. a ecclesia, ou assembleia dos cidadãos atenienses que se reunia no Areópago, votou banir Aristides do país por ele se ter manifestado contrário à política de Temístocles, outro general ateniense.
Conta-se que durante o processo um cidadão analfabeto, que não sabia quem era Aristides, lhe pediu que escrevesse 'Aristides' sobre um ostrakon (uma concha ou um fragmento de cerâmica), significando que o seu voto era a favor do exílio. Aristides fez o que o homem tinha pedido e depois perguntou se ele conhecia Aristides e, nesse caso, o que tinha contra ele.
- Não sei nada sobre Aristides - respondeu o homem - mas estou cansado de ouvir o povo chamar-lhe Aristides, o Justo.
(A nossa palavra 'ostracismo', por falar nisso, vem de ostrakon. Há muitos anos atrás, os arqueólogos realmente encontraram um caco de louça com o nome Aristides aí riscado; pensa-se que era um voto a favor do seu exílio.)
Alguém pode pensar que Aristides, por ter sido banido pelos seus concidadãos, se tenha voltado contra o seu mal-agradecido país, mas ele não o fez. Em 480 a.C., voltou para Atenas e desempenhou um papel importante vencendo a Maratona. Poucos dias mais tarde, na batalha de Salamis, prestou um serviço leal a - imaginem só - Temístocles, o seu oponente político.
Embora Aristides descendesse de uma abastada família ateniense, morreu pobre; tão pobre, na verdade, que não sobrou dinheiro suficiente para pagar o seu funeral.
Com frequência acontece que, à semelhança de Aristides, "quem se desvia do mal é tratado como presa". Isaías 59:15. Mas os cristãos têm o mesmo consolo de saber que Deus está a par das injustiças, pois Isaías continua a dizer: "O Senhor viu isso, e desaprovou o não haver justiça." Embora devamos ser "prudentes como as serpentes" (Mateus 10:16), nunca devemos tornar-nos cínicos. Antes, continuemos a amar e a fazer todo o bem possível àqueles que podem não gostar de nós.
quinta-feira, 1 de março de 2012
JUNTO AO TRONO DA GRAÇA
Acheguemo-nos, portanto, confiadamente, junto ao trono da graça, a fim de recebermos misericórdia e acharmos graça para socorro em ocasião oportuna. Hebreus 4:16
No antigo Próximo Oriente, os súbditos aproximavam-se do trono de um rei com uma postura de submissão. Naquele tempo, ir sem ser convidado à presença de um potentado terrestre podia significar a morte (ver Ester 4:11). Mas os tempos mudaram. Durante muitos anos, tem sido costume na Arábia Saudita que qualquer súbdito, até mesmo o cidadão mais humilde, compareça perante as autoridades superiores e lhes apresente o seu pedido - quer se trate de um chefe tribal, governador ou mesmo o próprio rei. Mas foi só a partir de 1952, quando o Abdul Aziz promulgou um decreto, que esse costume se tornou oficialmente um direito. Mesmo assim, embora os sauditas tenham esse direito, creio que nenhum cidadão comparece diante do rei sem lhe mostrar o devido respeito.
Algumas versões traduzem a palavra parresia como ousadamente, em lugar de confiadamente, como está no nosso texto de hoje. Embora ousadamente seja uma tradução permissível, ela pode ter a conotação de insolência atrevida, e essa não é com certeza uma atitude com a qual devamos chegar-nos ao trono do Rei do Universo.
Tenho ouvido, contudo, alguns cristãos darem a impressão de que têm o direito de irem junto a Deus com arrogância e eficiência, porque Cristo morreu por eles. Isso, penso eu, é um erro.
Um dos significados de graça (no grego, charis) é 'favor imerecido'. Isto parece sugerir que a atitude apropriada para aproximar-se do trono, do qual se dispensa um favor imerecido, é humildade em lugar de insolência atrevida. Por outro lado, isso não significa que devamos aproximar-nos de Deus com uma atitude servil ou tímida, duvidando que nos receba; pois Ele recebe todos os que a Ele vão com fé, procurando com humildade o Seu favor não merecido (ver Tiago 4:6).
Mas graça também tem outro significado - poder divino para cumprir a vontade de Deus. Paulo refere-se à graça neste sentido quando diz que a graça que Deus lhe concedeu "não se tornou vã, antes trabalhei muito mais do que todos eles; todavia não eu, mas a graça de Deus comigo." I Coríntios 15:10.
Todos nós precisamos da graça, não só para perdão dos pecados, mas que nos capacite a vencer o pecado quando somos tentados.
Cântico inspirador: Maravilhosa Graça em Links 5M
No antigo Próximo Oriente, os súbditos aproximavam-se do trono de um rei com uma postura de submissão. Naquele tempo, ir sem ser convidado à presença de um potentado terrestre podia significar a morte (ver Ester 4:11). Mas os tempos mudaram. Durante muitos anos, tem sido costume na Arábia Saudita que qualquer súbdito, até mesmo o cidadão mais humilde, compareça perante as autoridades superiores e lhes apresente o seu pedido - quer se trate de um chefe tribal, governador ou mesmo o próprio rei. Mas foi só a partir de 1952, quando o Abdul Aziz promulgou um decreto, que esse costume se tornou oficialmente um direito. Mesmo assim, embora os sauditas tenham esse direito, creio que nenhum cidadão comparece diante do rei sem lhe mostrar o devido respeito.
Algumas versões traduzem a palavra parresia como ousadamente, em lugar de confiadamente, como está no nosso texto de hoje. Embora ousadamente seja uma tradução permissível, ela pode ter a conotação de insolência atrevida, e essa não é com certeza uma atitude com a qual devamos chegar-nos ao trono do Rei do Universo.
Tenho ouvido, contudo, alguns cristãos darem a impressão de que têm o direito de irem junto a Deus com arrogância e eficiência, porque Cristo morreu por eles. Isso, penso eu, é um erro.
Um dos significados de graça (no grego, charis) é 'favor imerecido'. Isto parece sugerir que a atitude apropriada para aproximar-se do trono, do qual se dispensa um favor imerecido, é humildade em lugar de insolência atrevida. Por outro lado, isso não significa que devamos aproximar-nos de Deus com uma atitude servil ou tímida, duvidando que nos receba; pois Ele recebe todos os que a Ele vão com fé, procurando com humildade o Seu favor não merecido (ver Tiago 4:6).
Mas graça também tem outro significado - poder divino para cumprir a vontade de Deus. Paulo refere-se à graça neste sentido quando diz que a graça que Deus lhe concedeu "não se tornou vã, antes trabalhei muito mais do que todos eles; todavia não eu, mas a graça de Deus comigo." I Coríntios 15:10.
Todos nós precisamos da graça, não só para perdão dos pecados, mas que nos capacite a vencer o pecado quando somos tentados.
Cântico inspirador: Maravilhosa Graça em Links 5M
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