segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

DE VOLTA PARA O FUTURO

Um coisa faço: esquecendo-me das coisas que para trás ficam e avançando para as que diante de mim estão, prossigo para o alvo, para o prémio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus. Fllipenses 3:13 e 14

Os ideogramas chineses sempre me fascinaram. Enquanto estive preso no campo de concentração, o Dr. William Mather, um erudito que passou muitos anos como missionário na China, fez uma palestra a respeito disso. Declarou que a maneira como os antigos chineses usavam os caracteres yin e yang - as duas forças opostas - indica que eles estavam a par da electricidade positiva e negativa, muito tempo antes de o Ocidente 'descobrir' esse fenómeno. Também disse que os caracteres para significar 'perigoso' e 'oportunidade', quando usados juntos, significavam 'crise'. Por outras palavras, uma crise é uma 'oportunidade perigosa'. Um pensamento desafiador!
Para mim, entretanto, um dos mais fascinantes conceitos do povo chinês é de como eles concebem o futuro. Eles veem-se a caminhar para o futuro de costas e a olhar para o passado. Isso pode parecer-nos estranho, mas faz muito sentido. O passado permanece no campo da visão. Podemos 'vê-lo' mentalmente. Mas o futuro está oculto da nossa vista, como se na verdade estivesse atrás das nossas costas.
A ideia ocidental de futuro é diametralmente oposta à dos chineses. Falamos de 'enfrentar' o futuro. Criado no mundo greco-romano, Paulo tinha obviamente o conceito ocidental de futuro quando falou em avançar para as coisas que diante dele estavam.
Mas talvez haja um ponto em que o Oriente e o Ocidente se encontram. Num discurso proferido em 1986, o Presidente Ronald Reagan usou a expressão: "Voltar para o futuro." Com isso ele quis dizer que já nos demorámos muito no passado. É tempo de considerar as desconhecidas 'oportunidades perigosas' diante de nós.
A cortina do tempo desce sobre mais um ano. Deus trouxe-nos de novo para a terra do reinício. Seja o que for que o futuro nos reserve, que o nosso estudo da Sua Palavra no próximo ano nos ajude a conhecê-l'O ainda melhor.
Prossiga em conhecer ao Senhor, adquirindo aquele conhecimento que significa vida eterna!

domingo, 30 de dezembro de 2012

A VISÃO DO QUADRO COMPLETO

Sois... edificados sobre o fundamento dos apóstolos e profetas, sendo Ele mesmo, Cristo Jesus, a pedra angular; no qual todo o edifício, bem ajustado, cresce para santuário dedicado ao Senhor, no qual também vós juntamente estais sendo edificados para habitação de Deus no Espírito. Efésios 2:19-22

Christopher Wren, o famoso arquitecto inglês que projectou a Catedral de S. Paulo, em Londres, caminhava certo dia pelo prédio em construção e perguntou a cada operário o que estava fazer. Um deles disse que estava a assentar tijolos; outro, que estava a colocar os vitrais no lugar; outro ainda, que estava a fazer trabalho de carpintaria para a construção. Nenhuma das respostas foi a que o Sr. Christopher desejava ouvir.
Quando o grande arquitecto estava para deixar o local da construção, passou por um homem que misturava argamassa. Fez-lhe a mesma pergunta.
Erguendo-se acima da sua humilde tarefa, o operário respondeu com orgulho: "Estou a construir uma grande catedral, senhor!"
Alguns não viam nada além da tarefa específica na qual estavam envolvidos, mas ali estava um homem que, embora executando um trabalho de subalterno, olhava para além da argamassa e conseguia divisar o quadro completo.
Quando eu era adolescente, cantávamos um hino intitulado "Construindo para a Eternidade". A primeira estrofe era mais ou menos assim:

Com alegria ou tristeza, estamos a edificar
um templo que o mundo pode nem ver;
o tempo não pode danificá-lo nem destruí-lo;
construímos para a eterniadde. - N. B. Sargent

Quer nos demos conta, quer não, todos estamos envolvidos na construção de um templo. A nossa tarefa pode não parecer importante, mas segundo o nosso texto estamos a moldar a vida para ocupar um lugar no templo espiritual de Deus. Pergunte a si mesmo assim como eu me pergunto: "Sou eu como os pedreiros comuns na construção da Catedral de S. Paulo ou como o misturador de argamassa, que captou a visão do quadro completo?"

sábado, 29 de dezembro de 2012

SERMÃO EM ACÇÃO

Escreve a visão, grava-a sobre tábuas, para que a possa ler até quem passa correndo. Porque a visão ainda está para cumprir-se no tempo determinado, mas se apressa para o fim, e não falhará; se tardar, espera-O, porque certamente virá, não tardará. Habacuque 2:2 e 3

Jeremias foi contemporâneo de Habacuque. O Senhor revelou a esses profetas que a sua nação, Judá, cairia sob as armas dos babilónios. A Jeremias, Ele revelou ainda que os judeus deveriam submeter-se pacificamente ao conquistador e ir para o cativeiro, mas prometeu também que após 70 anos eles voltariam para a sua pátria. Esta mensagem foi muito impopular e a maioria do professo povo de Deus não creu nela, para sua própria tristeza.
Hananeel, primo de Jeremias, que aparentemente era um dos cépticos, entendeu que os babilónios iriam invadir as suas terras em breve. Pô-las à venda para Jeremias a um preço muito baixo.
Ora, a última coisa de que Jeremias precisava era de uma quinta. Em primeiro lugar, ele era profeta e não agricultor; em segundo, não possuía filhos que pudessem herdá-la; em terceiro, estava com idade tão avançada que não via perspectivas de tomar conta dela 70 anos mais tarde. Apesar de tudo isso, ele comprou a quinta, e não pelo preço determinado pelo medo que Hananeel estava a pedir. Pagou o preço justo que a quinta valia! (Ver Jeremias 32:6-15.) E foi ao ponto de fazer a transacção em público. Porquê? Porque ele cria na promessa de Deus. Aquilo era um sermão em acção.
Há quase dois mil anos, o Senhor declarou: "Certamente venho sem demora."
Apocalipse 22:20. Bem, dois mil anos parece muito tempo e muitos entre o povo de Deus hoje dizem-no através das suas acções, quando não pelas suas palavras: "Prolonga-se o tempo e não se cumpre a profecia."
Como devemos relacionar-nos com essa aparente demora? Diremos nós por acções ou palavras: "Meu Senhor demora-se"? Mateus 24:48. Ou, como Jeremias, mostraremos a nossa crença de que o regresso do Senhor "está próximo, às portas"? Mateus 24:33. Afinal de contas, aos olhos do Deus eterno, mil anos são apenas "como a vigília da noite"! Salmo 90:4.

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

ESTEJA PREPARADO

Se o pai de família soubesse a que horas viria o ladrão, vigiaria e não deixaria que fosse arrombada a sua casa. Por isso ficai também vós apercebidos; porque, à hora em que não cuidais, o Filho do homem virá. Mateus 24:43 e 44

Em Março de 1914, a Expedição Imperial Britânica para a Antárctida saiu da Inglaterra sob a liderança de Ernest Shackelton, com a intenção de cruzar o continente gelado a partir de uma base no Mar de Weddell, rumo a McMurdo Sound, via Pólo Sul. Acontece que o seu navio, o Endurance, ficou preso entre placas de gelo. Depois de andar à deriva entre banquisas durante cinco meses, conseguiram escapar para a Ilha do Elefante, no arquipélago Shetland do Sul. De lá, Shackelton e cinco homens navegaram 1.300 quilómetros num barco baleeiro até à ilha Geórgia do Sul, onde conseguiram ajuda.
Três vezes Shackelton partiu para tentar salvar os seus homens encalhados, e sempre era impedido pelo mar congelado. Na sua quarta tentativa, entretanto, ele encontrou um canal estreito entre as placas de gelo e por fim alcançou-os. Ao chegar, ficou feliz por vê-los preparados para embarcar no momento.
Quando todos se encontravam a salvo, e por isso mais calmos, Shackelton perguntou aos seus homens como é que eles estavam prontos para embarcar no momento em que ele chegou. Contaram-lhe que, todas as manhãs, o líder assistente que ele tinha designado enrolava o seu saco de dormir e dizia: "Deixem as vossas coisas prontas, rapazes; o patrão pode chegar hoje."
A segunda vinda de Cristo é muito mais certa do que o regresso de Shackelton à Ilha do Elefante. Pouco antes de partir da Terra e voltar para o Seu Pai, Ele prometeu: "Voltarei" (João 14:3), sem 'talvez' ou 'quem sabe'.
Quando Jesus voltar, todos os cristãos genuínos estarão prontos e aguardando ansiosamente (1 Tessalonicenses 4:16 e 17) "a bendita esperança e a manifestação da glória do nosso grande Deus e Salvador Cristo Jesus". Tito 2:13. Estarei eu pronto, estará você pronto para a Sua vinda? Esta é a pergunta mais importante à qual só nós podemos responder.
Os homens de Shackelton prepararam-se todas as manhãs para o regresso do seu líder. Uma das melhores maneiras de nos prepararmos para o regresso do nosso líder é estudar a Sua Palavra e meditar nela no início de cada dia.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

NÃO SEJA APANHADO DE SURPRESA

Quando andarem dizendo: Paz e segurança, eis que lhes sobrevirá repentina destruição, como vem a dor do parto à que está para dar à luz; e de nenhum modo escaparão. Mas, vós, irmãos, não estais em trevas, para que esse dia como ladrão vos apanhe de surpresa. 1 Tessalonicenses 5:3 e 4

Quando o nosso filho Steve nasceu, nós morávamos em Manaus, junto ao rio Amazonas. A nossa casa situava-se nos arredores da cidade. O serviço de autocarros urbanos parava às 10 horas da noite e recomeçava às 4 da manhã. Não havia telefones por ali perto. Ao aproximar-se o tempo da minha mulher dar à luz, consegui localizar três casas com telefone a um quilómetro e pouco da nossa casa, para alguma eventualidade. Assim mesmo, fomos apanhados de surpresa.
Não que não tivéssemos feito planos para a chegada do Steve. Nós fizémos.
Mas ele não nasceu quando esperávamos que nascesse. As dores do parto começaram à uma e meia da madrugada. Eu vesti-me e corri até ao primeiro telefone tão rápido quanto conseguia. Era na casa de uma parteira. Bati palmas, como era costume. Como eu continuasse a bater, alguns vizinhos acordaram e informaram-me que ela estava de férias.
Corri até uma loja onde havia telefone. Estava fechada, claro! Então vi uma luz que brilhava por trás da porta de uma padaria. Bati as palmas, expliquei a emergência aos dois empregados e pedi permissão para usar o telefone. Eles desculparam-se, mas eu teria que pedir licença ao patrão, que morava na esquina. Corri até à esquina. As minhas palmas devem ter causado mau humor no patrão, pois quando expliquei a minha situação aflitiva e pedi licença para usar o telefone, ele disse-me com termos bem explícitos que ninguém usaria o telefone dele àquela hora da noite e fechou a janela com força.
Naquela altura eu já estava desesperado. Finalmente, encontrei alguns homens que tinham estado a beber até tarde e tinham chamado um táxi. Quando lhes expliquei a situação cederam-me, com boa vontade, o táxi que tinham chamado. Quando entrámos no hospital, era quase tarde demais. Steve nasceu cinco minutos depois de termos chegado!
Seja quando for, a segunda vinda de Cristo apanhará a maioria das pessoas de surpresa. Você não precisa de deixar que isso lhe aconteça, se estiver sempre preparado para o Seu regresso (ver Mateus 24:36-44).

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

CONFIRME A SUA RESERVA

Por isso, irmãos, procurai, com diligência cada vez maior, confirmar a vossa vocação e eleição; porquanto, procedendo assim, não tropeçareis em tempo algum. 2 Pedro 1:10

Uma vez, um amigo meu entrou distraidamente no avião errado. Só descobriu o engano depois de se ter ajeitado confortavelmente no assento, quando o avião estava pronto para a descolagem! Por sorte, teve tempo de sair e embarcar no avião em que devia.
Em 1984, Michael Lewis, estudante na Califórnia, não teve tanta sorte. Depois de uma visita de três meses à Alemanha, ele regressava para sua casa em Oakland, via Los Angeles. Em Los Angeles, quando um funcionário da aviação aérea da Nova Zelândia anunciou o embarque para Aukland, Lewis entendeu Oakland e entrou no avião.
Quando já estava a voar, Lewis descobriu o equívoco, mas era tarde para o avião voltar para trás. Quando chegou aos Estados Unidos (numa viagem oferecida pela companhia aérea da Nova Zelândia!), ele explicou que o problema era que os neo-zelandeses "falavam de modo diferente"...
Nós sorrimos com o erro de Lewis. Cometer um engano destes é embaraçoso, mas errar no que diz respeito ao nosso destino eterno não é nada engraçado. A Bíblia fala de pessoas que, no dia do juízo, pensarão estar 'a bordo' rumo ao Céu, só para descobrir que estão a chegar ao lugar errado. Lemos acerca disso em Mateus 25:31-46. Essas pessoas protestarão: "Senhor, Senhor! Porventura, não temos nós profetizado em Teu nome, e em Teu nome não expelimos demónios, e em Teu nome não fizémos muitos milagres? Então (Cristo lhes dirá) explicitamente: Nunca vos conheci. Apartai-vos de Mim, vós que praticais a iniquidade." Mateus 7:22 e 23.
Podemos evitar esse engano trágico, ao confirmar agora mesmo a nossa vocação e eleição. Isso quer dizer verificar o destino e conferir a nossa reserva sempre que o Espírito de Deus nos falar ao coração. É o Espírito Santo que nos convence quando estamos no caminho errado e, apontando o certo, diz: "Este é o caminho, andai por ele." Isaías 30:21.
Se está a sentir o apelo do Espírito Santo no seu coração agora mesmo, porque não verificar o destino e confirmar a sua reserva?

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

O MAIOR ACONTECIMENTO DE TODOS OS TEMPOS

Vindo, porém, a plenitude do tempo, Deus enviou Seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei, para resgatar os que estavam sob a lei, a fim de que recebêssemos a adopção de filhos. Gálatas 4:4 e 5

Nunca poderemos ter a certeza quanto à data do nascimento de Jesus. O facto de na Palestina Dezembro ser muito frio, especialmente à noite, e que os "pastores... viviam nos campos e guardavam o seu rebanho durante as vigílias da noite" (Lucas 2:8), sugere que foi numa estação mais quente do ano. Entretanto, como observa uma escritora cristã: "Embora não saibamos o dia exacto do nascimento de Jesus, honramos o sagrado evento." - Ellen G. White, Review and Herald, 17 de Dezembro de 1889.
O verdadeiro espírito do Natal pede entrada no mais profundo santuário da alma e aguarda o nosso convite para que entre. O espírito do Natal pode estar ao nosso redor, mas também podemos isolar-nos da corrente de amor que celebra o acontecimento.
O espírito da natividade veio naquele primeiro dia de Natal só para os que estavam preparados para receber o Redentor do mundo. Embora os sacerdotes de Jerusalém dissessem estar a aguardar o Messias, foi para os expectantes pastores dos campos de Belém que os anjos anunciaram o nascimento do Salvador.
O pretensioso palácio de Herodes ficava ali perto, mas foi numa humilde manjedoura que o santo Bebé nasceu de uma jovem mãe - "porque não havia lugar para eles na hospedaria". Lucas 2:7. Havia muitos homens grandes e sábios segundo o mundo, em Roma, no Ocidente, mas foi para homens sábios do Oriente, cujo coração procurava Aquele que nasceria Rei dos judeus, que a estrela apareceu.
A Encarnação é a maior lição objectiva sobre o amor que a mente de sabedoria infinita poderia conceber. Ao dar-nos o Seu Filho Unigénito, Deus deu à humanidade todos os tesouros do Universo contidos numa pequenina forma de vida. Embora o nascimento do nosso Senhor há quase dois mil anos tenha sido o maior evento de todos os tempos, a sua essência, o seu significado e espírito estarão perdidos se Cristo não nascer em nós.

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

VISITANTES REAIS

Eis que estou à porta, e bato; se alguém ouvir a Minha voz, e abrir a porta, entrarei em sua casa, e cearei com ele e ele Comigo. Apocalipse 3:20

Uma vez, ao entardecer, Eduardo VII da Inglaterra caminhava no campo com a rainha, quando ela torceu o pé e magoou bastante o tornozelo. Com muitas dores, ela coxeou com bastante dificuldade, apoiada no ombro do marido. Já estava escuro quando chegaram a uma cabana e o rei bateu à porta.
- Quem é? - perguntou uma voz de homem lá de dentro.
- Eduardo, o rei - respondeu o monarca.
- Deixe-se de disparates! - gritou o morador zangado, acrescentando: - Vá-se embora!
O rei continuou a bater. Finalmente o homem exigiu:
- Quem está aí e o que deseja?
- Repito: sou Eduardo, o rei. Por favor, deixe-me entrar!
- Vou ensiná-lo a não incomodar um homem que quer dormir! - rugiu o morador, levantando-se da cama.
Abrindo bruscamente a porta, descobriu, para seu grande embaraço, que era mesmo o rei. Desculpando-se profusamente, convidou o casal real a entrar e providenciou ajuda imediata.
Anos mais tarde, ao relatar o incidente, o homem observou: "E pensar que quase o mandei embora sem abrir a porta!"
Há dois mil anos, os pais de outro Rei bateram à porta de uma hospedaria e pediram acomodação. Quando o hospedeiro foi atendê-los, viu que a senhora estava no final da gravidez. Pelo menos, poderia ter-lhes oferecido a eles o seu próprio quarto, naquela emergência. Em vez disso, ofereceu-lhes o estábulo, e foi lá que Jesus nasceu.
Hoje, neste exacto momento, o Rei que um dia foi bebé em Belém, e que agora é seu Amigo celestial, está junto à porta do seu coração, a bater. Pede entrada. Anseia entrar e conviver consigo, do mesmo modo que deseja que você comungue com Ele e aprenda a conhecê-l'O melhor.
"Eis que estou à porta, e bato", diz o Rei de amor. Alguém teria coragem para mandá-l'O embora?

domingo, 23 de dezembro de 2012

AGIR COM SOLICITUDE

Ela (Maria) deu à luz o seu filho primogénito, enfaixou-O e O deitou numa manjedoura porque não havia lugar para eles na hospedaria. Lucas 2:7

A insensibilidade e a indiferença não são qualidades confinadas aos tempos antigos. Podem ser vistas nos nossos dias também.
No dia 6 de Dezembro de 1964, uma jovem senhora deu à luz uma criança na calçada de uma movimentada esquina em Oklahoma, Estados Unidos. Uma multidão de curiosos transeuntes parou para observar, mas ninguém prestou auxílio. Depois de algum tempo, um turista sentiu pena e chamou um táxi, mas o motorista recusou-se a levar a mãe e o bebé ao hospital porque sujariam o veículo. O turista chamou a polícia. Esta informou que estava muito ocupada, com chamadas mais urgentes.
Nessa altura, Bob Cunningham, ex-deputado federal, passou ali por acaso e telefonou aos bombeiros para que enviassem uma ambulância. O pedido não foi atendido. Entretanto, Cunningham pediu que um espectador fosse buscar um cobertor ao hotel do outro lado da rua, mas também não resultou. Finalmente, Cunningham colocou a senhora e o bebé no seu próprio carro, levando-os para o hospital.
Esta inacreditável história faz-nos pensar no que aconteceu com Jesus e a Sua mãe há dois mil anos. Seria possível que tivéssemos demonstrado a mesma indiferença se fossemos proprietários de hospedarias em Belém?
Vivemos numa época em que as pessoas são relutantes em envolver-se, especialmente se o 'próximo' for um estranho ou indigente. Um exemplo disso ocorreu há anos atrás em Nova Iorque. Kitty Genovese voltava ao seu apartamento já tarde, de noite, quando foi atacada e esfaqueada várias vezes. Pelo menos 38 pessoas ouviram os gritos dela por socorro. Finalmente, alguns levantaram as persianas para ver o que estava a acontecer. Alguns gritaram com o agressor, mas ninguém chamou a polícia ou prestou ajuda, e a infeliz morreu ali mesmo.
Quando saímos do caminho para prestar ajuda a alguém necessitado, na verdade fazemo-lo para Cristo, pois Ele disse: "Sempre que o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a Mim o fizestes." Mateus 25:40.

sábado, 22 de dezembro de 2012

O PRÍNCIPE DA PAZ

Porque um menino nos nasceu, um Filho se nos deu; o governo está sobre os seus ombros; e o Seu nome será: Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz. Isaías 9:6

Chama-se a Jesus muitas vezes o Príncipe da Paz, mas incontáveis guerras têm sido paradoxalmente travadas em Seu nome durante os últimos dois mil anos.
Havia uma estrela de prata pendurada na Igreja da Natividade, em Belém, sobre o suposto local do nascimento de Jesus. Visitei essa gruta em 1959, quando participei de uma excursão pelas terras bíblicas. Vi uma estrela feita no chão, sob a manjedoura. Mas não vi nenhuma estrela de prata pendurada. Mais tarde fiquei a saber que havia uma estrela, sim, mas que tinha sido removida uns cem anos antes
Em 1853 aquela estrela tinha-se tornado o foco de uma discussão que causou, em pouco tempo, a Guerra da Crimeia. Tudo começou quando um clérigo da Igreja Ortodoxa Oriental decidiu substituir a estrela por uma outra da própria igreja. O clérigo do rito latino discordou. O primeiro era apoiado pela Rússia; o segundo, pela França. Quando a Turquia se colocou ao lado da França, a Rússia foi à guerra contra a Turquia. A França, a Grã-Bretanha e a Sardenha, por sua vez, declararam guerra contra a Rússia. A guerra durou três longos anos e resultou em dezenas de milhares de soldados mortos e feridos. Por fim, os aliados venceram. O lado irónico do facto é que a estrela de prata, o centro da contenda, foi retirada permanentemente dois anos depois da guerra, mas deixou um legado de má vontade que durou muito tempo.
Já parou para pensar na razão por que Cristo tem sido tão frequentemente ligado à guerra e ao derramamento de sangue, quando Ele é o Príncipe da Paz? Não é Cristo que causa essas guerras. Elas são causadas por indivíduos que professam ser Seus seguidores (ver Tiago 4:1 e 2), mas aparentemente nunca experimentaram, e portanto não revelam pelas suas acções, a paz da qual Jesus é o principe (ver João 16:33).
Esta é a época do ano em que os pensamentos de muitos se voltam para o nascimento do Príncipe da Paz. Que seja também o tempo em que os seus e os meus pensamentos se voltem para Ele. Que Jesus nasça outra vez no seu coração e que você experimente sempre a paz que Ele oferece - a paz "que excede todo o entendimento". Filipenses 4:7.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

A RECOMPENSA DA GENEROSIDADE

O generoso será abençoado, porque dá do seu pão ao pobre. Provérbios 22:9

Há muito tempo atrás, um rapaz que viajava para a região Oeste dos Estados Unidos chegou a uma quinta e pediu uma acomodação onde pudesse passar a noite. O proprietário recebeu-o com boa vontade. Pouco depois, outro viajante e a esposa pararam e perguntaram se poderiam pernoitar ali. O marido, que sofria de tuberculose, explicou que tinha só quatro dólares para pagar o alojamento. O agricultor convidou-os a entrar e disse que não cobraria nada pelo pernoitar.
O primeiro rapaz, sentindo pena do viajante doente, ofereceu-lhe a sua cama e disse que dormiria no celeiro, o que realmente fez. Na manhã seguinte, quando o homem doente e a esposa estavam a despedir-se, o agricultor colocou 100 dólares na sua mão e disse que os usassem, sem se preocuparem no caso de não poderem devolvê-los.
Passaram-se vinte anos. O primeiro rapaz viajava perto da quinta onde tinha pernoitado há alguns anos atrás e decidiu ver se o proprietário ainda morava no mesmo lugar. Morava. Enquanto recordavam aquele dia, outro visitante bateu à porta. Por uma dessas coincidências únicas na vida, era o outro viajante! Tinha recuperado a saúde, e a sorte tinha-lhe sorrido. Tomara conhecimento, recentemente, de que o seu generoso anfitrião tinha sofrido sérios reveses financeiros. Estava a passar por ali para pagar a generosidade dele.
- Amigo - disse ele ao agricultor - o senhor deu-me 100 dólares quando eu estava necessitado, e agora quero pagar-lhe 100 dólares por cada dólar que me deu.
Bem que eu gostaria de saber os nomes das pessoas intervenientes nesta história, mas não sei. Tudo o que sei é que ela me foi "contada pelo rapaz que chegou primeiro àquela casa da quinta".
A generosidade tem as suas recompensas, até mesmo nesta vida. Jesus disse: "Dai, e dar-se-vos-á; boa medida, recalcada, sacudida, transbordante, generosamente vos darão". Lucas 6:38. Mas não espere que sempre aconteça dessa maneira. Seja generoso porque isso faz parte da regra áurea - e espere bençãos espirituais, não materiais.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

O BOM PASTOR NÃO DESISTE

Se um homem tiver cem ovelhas, e uma se desviar e se perder, que fará ele? Não deixará as outras noventa e nove, e sairá pelos montes em busca da perdida? Mateus 18:12 (A Bíblia Viva)

Louis Pasteur, o famoso microbiologista francês que descobriu que a maioria das doenças é causada por germes, dedicou-se à busca do conhecimento. Cria, entretanto, na existência de valores espirituais que transcendem a Ciência. Em 1849, Pasteur casou-se com Marie Laurent, uma das suas assistentes de laboratório. Tiveram cinco filhos. Três morreram na infância. Dezanove anos mais tarde, ele sofreu uma lesão vascular cerebral por excesso de trabalho e ficou parcialmente paralisado.
Quando começou a guerra franco-prussiana em 1870, o único filho de Pasteur, Jean Baptiste, foi convocado para servir o seu país e envolveu-se na catastrófica derrota do exército francês em Metz. Depois de semanas sem receber notícias do rapaz, Pasteur deixou o seu agora famoso laboratório em Paris e foi procurá-lo. Apesar da sua paralisia parcial, Pasteur lá foi coxeando em direcção ao norte à procura do filho. As estradas estavam congestionadas com soldados derrotados e errantes. A viagem foi árdua, mas depois de muitas perguntas Pasteur localizou a unidade do seu filho. Um oficial contou-lhe então a desanimadora notícia: num agrupamento original de 1.200 homens, menos de 300 tinham sobrevivido.
Mas Pasteur não desistiu. Continuou a avançar por estradas cheias de cavalos mortos e homens a sofrer com o frio enregelante e com gangrena. Chegou finalmente ao local onde um soldado estava enrolado até aos olhos num sobretudo pesado; mal podia ser reconhecido no seu estado de definhamento. Era Jean Baptiste! Pai e filho, demasiado comovidos para falar, abraçaram-se em silêncio.
Na guerra entre as forças do bem e do mal, muito filho e muita filha já sofreram derrotas catastróficas nas mãos do inimigo das almas. E muitos, como o filho de Pasteur, mal podem ser reconhecidos por causa dos estragos do pecado. Alguns cristãos, até mesmo pais, talvez creiam que esses filhos errantes se encontrem além da esperança. Mas mesmo que eles se esqueçam (ver Isaías 49:15), o Bom Pastor e os pais fiéis nunca se esquecerão, mesmo que por vezes tenham de administrar um amor severo.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

CARTAS VIVAS

Estando já manifestos como carta de Cristo, produzida pelo nosso ministério, escrita não com tinta, mas pelo Espírito do Deus vivente. 2 Coríntios 3:3

Nos dias em que Paulo escreveu estas palavras, as cartas eram geralmente escritas sobre papiros, um material feito de um junco que crescia ao longo das margens do rio Nilo. A nossa palavra 'papel' é derivada de papiro. Já vi muitas dessas cartas nos grandes museus do mundo; talvez você as tenha visto também.
O tipo do manuscrito indica que a maioria dessas cartas era escrita não pelo remetente da mensagem, mas por um escriba cuja função era justamente escrever cartas. Os escribas eram uma necessidade naquela época, porque poucas pessoas sabiam ler ou escrever. Algumas dessas epístolas são cartas comerciais; outras tratam de assuntos de vida ou morte; outras, ainda, são cartas de amor.
Quando comecei a trabalhar como pastor estagiário em Santa Rosa, na Califórnia, deram-me uma escrivaninha e uma velha cadeira que tinha pertencido a um antigo pastor. Davam evidências de terem sido guardadas durante muito tempo e de não terem sido limpas há muitos anos.
Quando a escrivaninha passou para as minhas mãos, comecei a limpá-la. Puxei todas as gavetas para fora e fiquei surpreendido com o que encontrei. Algumas cartas tinham caído por trás de uma das gavetas. Estavam amassadas, amareladas e traziam o carimbo do correio que confirmava a sua 'antiguidade'.
Não tenho o hábito de ler a correspondência de outras pessoas, mas fiz uma excepção daquela vez, porque não conhecia nem o remetente nem o destinatário das cartas. Mas devo confessar que o conteúdo delas inspirou-me o desejo de conhecer aquelas pessoas. Deram-me uma ideia sobre o carácter dos correspondentes!
No versículo para a nossa meditação, o apóstolo Paulo diz que os cristãos de Corinto eram cartas escritas por Cristo e entregues ao mundo. Nós tambem somos cartas conhecidas e lidas "por todos os homens". Verso 2. Quão importante é, então, que a mensagem transmitida pelo nosso viver seja coerente com o que professamos.

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

ESPERANÇA PARA CEGOS E SURDOS-MUDOS

Naquele dia os surdos ouvirão as palavras do livro, e os cegos, livres já da escuridão e das trevas, as verão. Os mansos terão regozjjo sobre regozjjo no Senhor, e os pobres entre os homens se alegrarão no Santo de Israel. Isaías 29:18 e 19

No livro There Are Sermons in Stories (Há Sermões em Histórias), escrito por William L. Stidger, o autor conta que a primeira vez que viu Helen Keller foi numa palestra dela. Anteriormente Helen aprendera a falar audivelmente; assim, apesar de muda e completamente cega, ela proferiu uma palestra. No encerramento, houve estrondosos aplausos e Helen começou a bater palmas também, com alegre exuberância.
Era evidente que, de alguma forma, Helen tinha percebido o entusiasmo do auditório. Assim, depois de os aplausos terem cessado, o presidente da reunião perguntou-lhe, por intermédio de Anne Sullivan que sempre a acompanhava, como é que ela fora capaz de sentir os aplausos, se não podia ver nem ouvir.
"Através das vibrações nos meus pés", explicou Helen.
Alguém então perguntou qual era o seu livro preferido, e Helen bradou com exultação: "A Bíblia! É o livro mais maravilhoso do mundo!"
E quando quiseram saber a razão por que a Bíblia significava tanto para ela, Helen respondeu: "É porque, na minha escuridão, a Bíblia faz-me ver a Grande Luz!"
Em Isaías 9:2, o profeta diz que "o povo que está andando na escuridão verá uma grande Luz. Essa Luz vai brilhar e iluminar todos os que vivem na região da sombra da morte" (A Bíblia Viva). A escuridão da qual Isaías fala é a escuridao espiritual, e a grande Luz não é outra senão Jesus, que Se declarou a Luz do mundo (ver João 9:5).
É nosso privilégio reflectir a Luz do mundo, não importa qual seja a nossa área de actuação. Ao partilharmos a Luz do Livro com aqueles que caminham nas trevas, quer em países estrangeiros quer na nossa pátria, a minha mulher e eu nunca deixamos de nos emocionar ao ver a luz da alegria no rosto de novos conversos. Você também pode sentir essa emoção!

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

O QUE O PERDÃO PODE FAZER POR SI

Bem-aventurado aquele cuja iniquidade é perdoada, cujo pecado é coberto. Bem-aventurado o homem a quem o Senhor não atribui iniquidade, e em cujo espírito não há dolo. Salmo 32:1 e 2

Dois dias antes do Natal, Frank e Elizabeth Morris receberam um telefonema comunicando-lhes que o seu filho único, Ted, de 18 anos de idade, tinha ficado ferido num acidente grave. A pessoa instruía-os a dirigirem-se com urgência a um grande hospital em Nashville, Estado do Tennessee. Quando chegaram ao hospital, um neurocirurgião deu-lhes a triste notícia: Ted estava morto.
No dia seguinte, na polícia, o casal Morris soube que o outro motorista, Tommy Pigage, tinha sofrido apenas ferimentos leves. Por ocasião do acidente, o seu nível de álcool no sangue estava três vezes acima do limite legal. Ele foi acusado como assassino, mas depois de confessar-se culpado, a acusação foi reduzida para homicídio culposo. Meses mais tarde, foi sentenciado a apenas cinco anos de sursis (liberdade condicional) com a condição de que, se violasse a sentença, teria de cumprir uma pena de dez anos na prisão. Dizer que o casal Morris (especialmente Elizabeth) ficou revoltado com uma sentença tão branda, é dizer pouco.
Mais tarde, numa reunião de mães para protestar contra o acto de conduzir sob a influência do álcool, Elizabeth ouviu Tommy contar que, ao saber da morte do Ted, ele não conseguira parar de chorar. Alguns dias mais tarde, entretanto, ele foi apanhado a beber e foi preso para cumprir a sua pena de dez anos.
Apesar das emoções contraditórias, Elizabeth, uma cristã, começou a visitar Tommy na cadeia. Um dia, enquanto conversavam, ele pediu-lhe perdão.
- Eu perdoo-te - respondeu Elizabeth, acrescentando: - e gostaria que me perdoasses por eu te ter odiado.
- Ah, é claro - disse ele com emoção.
Numa visita posterior, Tommy contou a Elizabeth que queria muito parar de beber, mas não conseguia. Ela garantiu-lhe que ele poderia, com a ajuda de Deus. E ele conseguiu!
No dia 12 de Janeiro de 1985, Tommy foi baptizado. Mais tarde, ficou em liberdade condicional. O casal Morris começou a levá-lo para o seu lar e a tratá-lo como filho. Escrevendo para a edição de Janeiro de 1986 da revista Guide-post, Elizabeth disse que, depois disso, começou a sentir a paz que só Deus pode dar. E Tommy? Ele é uma pessaa diferente!
É isso que pode acontecer quando perdoamos - e somos perdoados.

domingo, 16 de dezembro de 2012

COMO O AMOR ACTUA

Quando você der alguma coisa a um necessitado, não fique contando o que fez, como os hipócritas fazem nas casas de oração e nas ruas. ...Mas... faça isso de tal modo que nem mesmo o seu amigo mais íntimo saiba o que você fez. Mateus 6:2 e 3 (A Bíblia na Linguagem de Hoje)

Perguntaram certa vez a Ernest Shackelton, famoso explorador britânico da Antárctida, qual tinha sido o momento mais terrível pelo qual ele passara no continente gelado. Alguém poderia pensar que ele contaria a história de alguma nevasca polar, mas não foi isso. Contou que o seu momento mais terrível foi certa noite quando ele e os seus homens estavam amontoados numa cabana de emergência, depois de terem sido distribuídos os últimos alimentos existentes.
Enquanto os seus homens dormiam profundamente, Shackelton permanecia acordado, com os olhos semicerrados. De repente, viu um movimento sorrateiro de um dos seus homens. Espreitando naquela direcção, ele viu que o homem ia furtivamente na direcção de outro e retirava um pacote de biscoitos da mochila do seu companheiro. Shackelton ficou chocado! Até àquele momento, ele teria confiado a própria vida àquele homem. Agora tinha algumas dúvidas.
Mas então, enquanto observava, percebeu que o homem abria o seu próprio pacote de biscoitos, tirava de lá o último bocado de alimento, colocava-o no pacote do outro homem e recolocava-o na mochila do companheiro.
Ao narrar a história, Shackelton disse: "Não ouso dizer o nome daquele homem. Acho que o seu gesto foi um segredo entre ele e Deus."
É assim que acontece com o tipo de amor de que a Bíblia fala. Ele não realiza boas obras para ser visto pelos homens. Henry Drummond, grande pregador inglês, disse: "Depois de ter andado pelo mundo inteiro a fazer as suas belas obras, o amor esconde-se, até de si mesmo."
O coração humano anseia por reconhecimento. Não deseja que as suas boas acções permaneçam ocultas - e é aí que muitos caem na armadilha de Satanás! Depois de "Deus ter efectuado em nós 'o realizar', segundo a Sua boa vontade" (Filipenses 2:13), o tentador aparece e leva-nos a vangloriar-nos das maravilhosas coisas que fizémos. Qual é a solução? Nunca pare para se vangloriar. Fixe a mente em Jesus e continue a permitir que Deus efectue a Sua boa vontade através de si.

sábado, 15 de dezembro de 2012

RAABE

'Dentre os que Me conhecem, farei menção de Raabe.' ...O Senhor, ao registar os povos, dirá: este nasceu lá. Salmo 87:4 e 6

Raabe foi a prostituta de Jericó que escondeu os dois espias. Conforme a tradição judaica, ela casou-se com um deles depois da queda da cidade. Se isto é verdade, o nome dele era Salmon (ver Mateus 1:5).
Dizem que a prostituição é a mais antiga profissão do mundo. Mas isto não a torna uma ocupação honrosa. A maioria das pessoas considera-a uma destruidora da moral da família e da sociedade.
Como é que começa a prostituição? Estudos sociológicos revelam que a maior parte das jovens que se tornam prostitutas foram iniciadas na sua carreira ainda crianças, por homens que eram seus parentes próximos e abusavam delas - tios, irmãos, pais e até avós! Calcula-se que 75 por cento das prostitutas foram vítimas desses abusos na infância.
É difícil imaginar que Deus tenha tido alguma coisa a ver com uma casa de má fama, ou que tivesse cooperado com o Seu povo que usou um desses estabelecimentos como esconderijo. Mas isso não é tudo. Além de ser prostituta, Raabe era mentirosa. Disse que não sabia para onde os espias tinham ido quando saíram da sua casa, quando ela mesma os tinha escondido no tecto da casa (ver Josué 2:4-6).
Aqui vem a surpresa: ao contrário dos seus compatriotas, ela reconheceu Jeová como "Deus em cima nos céus e em baixo na terra" (verso 11). E a maior de todas as surpresas: através da descendência dessa ex-meretriz, veio o Filho Unigénito de Deus (Mateus 1:1-16)!
Se, mesmo não desculpando o pecado, Deus leva em conta as circunstâncias que moldaram a vida de uma pessoa, deveríamos nós ter menos compaixão ao julgar os outros? Quão gratos podemos ser porque, no dia do ajuste final de contas, um misericordioso Pai celeste leva em consideração o facto de que "este (ou esta) nasceu lá"! Em Jericó, talvez?

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

AGIR COM SOLICITUDE

Ela (Maria) deu à luz o seu filho primogénito, enfaixou-O e O deitou numa manjedoura porque não havia lugar para eles na hospedaria. Lucas 2:7

A insensibilidade e a indiferença não são qualidades confinadas aos tempos antigos. Podem ser vistas nos nossos dias também.
No dia 6 de Dezembro de 1964, uma jovem senhora deu à luz uma criança na calçada de uma movimentada esquina em Oklahoma, Estados Unidos. Uma multidão de curiosos transeuntes parou para observar, mas ninguém prestou auxílio. Depois de algum tempo, um turista sentiu pena e chamou um táxi, mas o motorista recusou-se a levar a mãe e o bebé ao hospital porque sujariam o veículo. O turista chamou a polícia. Esta informou que estava muito ocupada, com chamadas mais urgentes.
Nessa altura, Bob Cunningham, ex-deputado federal, passou ali por acaso e telefonou aos bombeiros para que enviassem uma ambulância. O pedido não foi atendido. Entretanto, Cunningham pediu que um espectador fosse buscar um cobertor ao hotel do outro lado da rua, mas também não resultou. Finalmente, Cunningham colocou a senhora e o bebé no seu próprio carro, levando-os para o hospital.
Esta inacreditável história faz-nos pensar no que aconteceu com Jesus e a Sua mãe há dois mil anos. Seria possível que tivéssemos demonstrado a mesma indiferença se fossemos proprietários de hospedarias em Belém?
Vivemos numa época em que as pessoas são relutantes em envolver-se, especialmente se o 'próximo' for um estranho ou indigente. Um exemplo disso ocorreu há anos atrás em Nova Iorque. Kitty Genovese voltava ao seu apartamento já tarde, de noite, quando foi atacada e esfaqueada várias vezes. Pelo menos 38 pessoas ouviram os gritos dela por socorro. Finalmente, alguns levantaram as persianas para ver o que estava a acontecer. Alguns gritaram com o agressor, mas ninguém chamou a polícia ou prestou ajuda, e a infeliz morreu ali mesmo.
Quando saímos do caminho para prestar ajuda a alguém necessitado, na verdade fazemo-lo para Cristo, pois Ele disse: "Sempre que o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a Mim o fizestes." Mateus 25:40.

CONSCIÊNCIA CAUTERIZADA

Ora, o Espírito afirma expressamente que, nos últimos tempos alguns apostatarão da fé, por obedecerem a espíritos enganadores e a ensinos de demónios, pela hipocrisia dos que falam mentiras, e que têm cauterizada a própria consciência. 1 Timóteo 4:1 e 2

Numa noite de Inverno eu estava a atiçar o fogo na nossa lareira, quando um anteparo quente caiu sem que eu esperasse e me queimou a mão, provocando uma bolha. Doeu. Tive a certeza de que a dor não me deixaria dormir naquela noite. Então lembrei-me de algo que alguém me sugerira anos antes. Disseram-me que se eu colocasse a queimadura perto do fogo repetidas vezes, doeria terrivelmente a princípio, mas se eu continuasse a aproximá-la do calor, a dor iria diminuindo gradualmente. Experimentei a sugestão. Funcionou - comigo, pelo menos. (Antes de tentar algo parecido, fale com o seu médico.) Na manhã seguinte, senti apenas um leve incómodo na área afectada. A pele estava grossa e insensível.
Não sei bem o que se passou com a minha queimadura, mas sei o que acontece quando uma pessoa viola a sua consciência repetidamente. Quando pela primeira vez fazemos algo que sabemos ser errado, a nossa consciência dói-nos terrivelmente, mas as violações repetidas resultam numa sensação bem mais enfraquecida de dor psicológica, até que finalmente pecamos sem que a consciência nos incomode mais.
No âmbito físico, aquilo que aconteceu comigo (insensibilizar uma queimadura dolorida, aproximando-a repetidas vezes do calor) pode funcionar ou não para outra pessoa (mais uma vez o aconselho a conferir esse procedimento com o seu médico). Mas sob o ponto de vista espiritual, insensibilizar a consciência é uma questão muitíssimo séria. Pode resultar em cometer um pecado imperdoável (ver Mateus 12:31 e 32). Não que alguns pecados sejam tão graves que Deus não consiga perdoá-los. Mas porque aqueles que pecam conscientemente chegam ao ponto de não mais conseguirem ouvir o Espírito Santo falar.
Podemos evitar cometer essa "grande transgressão" ao permitir que Deus nos impeça de cometer o pecado da presunção - pecar premeditadamente na expectativa de que Deus nos perdoe (ver Salmo 19:13).

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

ASSUMINDO UMA POSIÇÃO INFERIOR

Quando fores convidado (para uma festa de casamento), senta-te no último lugar, e assim quando vier o que te convidou, dirá: "Amigo, passa para um lugar mais honroso. Lucas 14:10 (Bíblia, A Boa Nova)

Há vários anos, a nossa família participou numa excursão na qual os turistas viajavam em carros, estilo caravana. Visitámos muitos lugares interessantes. No fim de cada dia, reuníamo-nos num hotel para pernoitar. Era divertido observar como alguns indivíduos do nosso grupo faziam manobras para se colocarem em posição de serem atendidos em primeiro lugar no balcão da portaria do hotel. Parecia que desejavam conseguir um quarto que reflectisse melhor o status deles na vida. Felizmente, nem todos no mundo deixam um exemplo tão 'brilhante'.
Quando Sammy Morris, um rapaz africano, foi para a América estudar na Universidade Taylor, não pediu o melhor quarto do dormitório. Em vez disso, quando o reitor Thaddeus C. Reade lhe perguntou que quarto preferia, Sammy respondeu: "Se houver um quarto que ninguém quer, fico com ele."
Comentando esse facto, o reitor disse: "Na minha experiência como professor, tive a oportunidade de designar quartos para mais de mil alunos. Muitos deles eram moças e rapazes nobres e cristãos; mas Sammy Morris foi o único que disse: 'Se houver um quarto que ninguém quer, fico com ele'."
Frequentemente acontece isto: quando uma pessoa deixa de lado os seus próprios interesses e humildemente se preocupa em ajudar os outros, ela chama a atenção dos seus semelhantes e é honrada por eles. Porquê? Bem, aparentemente admiramos a humildade - nos outros!
Mas o nosso versículo não está a falar basicamente de sermos honrados pelos nossos semelhantes. A ênfase principal de Jesus era sobre coisas espirituais. A festa de casamento representa o reino da graça e o reino da glória. Aqueles que nesta vida entram no reino da graça e aprendem a lição da verdadeira humildade, serão honrados pelo anfitrião celestial no reino da glória.
"A entrega do próprio eu é a essência dos ensinos de Cristo." - O Desejado de Todas as Nações, pág. 523. Isso pode significar a ocupação de uma posição obscura nesta vida, mas resultará em ocupar uma posição de honra no reino dos Céus.